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Quando o Amor Vira Mentira: A Luta de Sofia

Quando o Amor Vira Mentira: A Luta de Sofia

No dia do terceiro aniversário do meu filho, Lucas, o meu marido, Pedro, simplesmente não voltou para casa. Preparei o seu bolo favorito e enchi a sala com balões azuis, enquanto Lucas esperava, adormecendo no sofá com o seu pequeno carro de corrida. Liguei para o Pedro dezenas de vezes, mas só encontrei o silêncio do telemóvel desligado. O meu coração afundava a cada tentativa falhada, até que a campainha tocou, já perto da meia-noite. Corri para a porta, com a esperança a reacender-se, mas não era ele. Eram dois polícias, com expressões sérias, que trouxeram a notícia: Pedro sofrera um acidente de carro, estado crítico. O mundo parou, as palavras ecoavam na minha cabeça: "crítico", "acidente". Mas a próxima frase atingiu-me como um raio: "Havia outra pessoa no carro... uma mulher. Infelizmente, ela não sobreviveu." O nome dela? Clara Bastos. A ex-namorada de Pedro, aquela que ele jurou ter ficado no passado. Antes que eu pudesse processar a traição, a minha sogra, Dona Alice, subiu as escadas, o seu medo transformado em raiva pura. "A culpa é tua! Tu nunca o fizeste feliz! A Clara era o verdadeiro amor da vida dele! Se ele morrer, a culpa é tua!" As palavras dela, o facto de que toda a minha vida tinha sido uma farsa, atingiram-me mais do que qualquer golpe físico. O nosso casamento, o nosso filho... Seríamos apenas um obstáculo? Uma mentira? Senti o meu telemóvel vibrar no bolso: uma notificação de transferência bancária. Pedro tinha transferido quase todo o nosso dinheiro da conta conjunta para a sua conta pessoal, horas antes do acidente. Ele não me estava apenas a deixar; estava a deixar-me sem nada. Num piscar de olhos, a minha vida desmoronou-se. Mas eu não me ajoelharia. Enquanto a minha sogra me amaldiçoava, senti uma raiva fria a crescer. Não olhei para trás. A batalha pela minha vida e pela do meu filho tinha acabado de começar.
Liberta das Chamas do Passado

Liberta das Chamas do Passado

Clara, grávida de nove meses, aguardava a chegada do nosso bebé, num lar aparentemente seguro. Mas o cheiro intenso a fumo e o alarme estridente rasgaram a normalidade. Presa no apartamento em chamas, liguei para Miguel, o meu marido e suposto porto seguro. Implorei por ajuda, enquanto o pânico me consumia. "Miguel, há um incêndio! Estou encurralada!" Do outro lado da linha, ouvi a voz risonha da Sofia. A sua resposta foi um eco vazio de indiferença: "Calma, não sejas tão dramática. A Sofia está traumatizada por causa de uma aranha, não a posso deixar agora." E ele desligou. Enquanto as chamas devoravam o nosso lar, perdi o nosso bebé. No hospital, vazia e destroçada, a pior traição ainda estava por vir. Miguel e o seu pai, Ricardo, não mostraram empatia, culpando-me. Congelaram as nossas contas, deixando-me na miséria. A Sofia, com um sorriso falso de pena, lançou uma campanha de ódio online, pintando-me como o monstro que abandonou o marido em tragédia. Amigos viraram-me as costas, sem questionar. Como podia a minha vida ter-se tornado este pesadelo vil? Fui esmagada pela dúvida, humilhação e uma dor insuportável. Seria eu a vilã, como diziam? Será que a minha dor era apenas uma dramatização? Mas a voz firme da minha mãe, Laura, rompeu a escuridão: "Tu sabes a verdade. Eu sei a verdade. Não deixes que as mentiras deles te destruam. Luta!" Nesse momento, a minha calma gélida transformou-se em fogo. Se eles queriam uma guerra, eu dar-lhes-ia a guerra mais verdadeira que já viram. Com a verdade, a minha única e implacável arma. Ninguém me pararia agora.
O Segredo de Joãozinho Revelado

O Segredo de Joãozinho Revelado

A foto de Daniel, meu filho, sorrindo com um troféu de futebol, escondia a ansiedade que me consumia, uma nuvem de chuva que nunca ia embora. Nossa casa, outrora um refúgio, tornou-se um campo de batalha silencioso quando meu filho adolescente expressou desprezo por Joãozinho, o menino que eu acolhera acreditando ser filho do meu "melhor amigo", Pedro. Juliana, minha esposa, com seus olhos calculistas, referia-se a Joãozinho como "diferente", uma palavra cheia de veneno doce, ecoando a crueldade que se tornava palpável diante dos hematomas ocasionais no corpo do menino. Eu, Lucas Silva, um engenheiro de sucesso, via meu universo desmoronar, questionando como minha fé na bondade pudera me cegar para a verdade sobre Pedro, o parasita disfarçado de irmão. Naquela noite, a tragédia anunciada se concretizou. Daniel e Pedro, em uma brincadeira cruel, empurraram Joãozinho da casa na árvore. O som surdo do corpo do menino batendo no chão e seu grito lancinante rasgaram o ar, e meu coração se despedaçou ao vê-lo com o braço torcido. Subindo para pegar a carteira, ouvi vozes baixas vindas do meu closet. Juliana e Pedro estavam juntos, em um beijo desesperado, faminto, cúmplice. Minha esposa e meu melhor amigo. A traição era uma faca cravada no meu peito, e a terrível sensação era de que aquele beijo era apenas a ponta de um iceberg de mentiras. Então, mais uma frase, sussurrada por Juliana, congelou meu sangue: "Joãozinho é o filho biológico dele e não aquela aberração do Daniel!" O mundo girou, o ar me faltou. Joãozinho, meu filho. Daniel, não meu? Juliana, com um ódio cruel, cuspiu a verdade: "Daniel é meu. Trocamos na maternidade." Minha "esposa" revelou que me deu remédios para me esterilizar, para que eu não tivesse outro herdeiro legítimo, enquanto Pedro confessou o teste de DNA falso. Descobri que a mulher que amava e o amigo que chamei de irmão torturavam meu próprio filho, movidos por ambição e inveja. Quando desci as escadas, uma terrível premonição se confirmou. Joãozinho estava na piscina. Daniel estava na beirada, com uma expressão vazia. Juliana apenas observava com uma calma assustadora. Naquele momento, enquanto segurava o corpo sem vida do meu filho, eu vi o sorriso vitorioso dela. O Lucas gentil e complacente morreu junto com Joãozinho, e em seu lugar, nasceu um homem consumido por um único propósito: justiça.
A Simples Rapariga Que Se Recusou a Ser Apagada

A Simples Rapariga Que Se Recusou a Ser Apagada

Clara dedicou três anos da sua vida, as suas poupanças e cada gota de energia para apoiar a startup do marido, Leo, sonhando com o futuro que construíam juntos. Nela, via o parceiro que amava e o sucesso que construíram com seu suor. Mas na festa de celebração do primeiro grande investimento da empresa, o seu mundo desabou em pedaços. Escondida num canto, ouvi o meu marido, Leo, a sua mãe, Helena, e a sua amiga de infância, Sofia, a gozar com o meu sacrifício. Eles chamaram-me de "rapariga simples" e disseram que o meu investimento não passava de um "empréstimo inicial", enquanto planeavam substituir-me. O Leo riu e disse: "Ela vai entender, ela é uma rapariga simples." Confrontei-o, mas ele tentou comprar-me. A sua mãe, uma advogada astuta, garantiu que os papéis que assinei me tiravam todos os direitos, deixando-me sem nada. Não era só dinheiro que queriam tirar-me, mas a minha dignidade e o meu trabalho de anos. Eles tentaram destruir a minha reputação online, chamando-me de "oportunista" e "extorquista", levando-me a perder o emprego. Senti-me traída, descartada, e questionei se todo o meu esforço não valia nada. Estaria eu destinada a ser apenas uma "rapariga simples" a quem se podia apagar? Quase desisti, afundada no desespero. Mas então, uma mensagem inesperada de Pedro, um ex-estagiário, surgiu. Ele tinha a prova que mudaria tudo: e-mails e ficheiros que mostravam o Leo a falsificar documentos para apagar o meu nome da empresa. A verdade estava do meu lado. Será que esta prova seria suficiente para derrubar o império que ajudei a construir e a recuperar o que é meu por direito?
A Amante Indesejada Torna-se a Rainha da Rival

A Amante Indesejada Torna-se a Rainha da Rival

No momento em que Dante me empurrou contra a bandeja de um garçom para amparar a viúva do seu irmão, eu soube que tinha perdido a guerra. Por oito anos, eu fui o seu santuário. Mas Viviane carregava o "Herdeiro da Família", e isso a transformava numa santa. Ele não apenas a segurou; ele a instalou na Suíte Master — o quarto que havia prometido a mim —, enquanto eu fui rebaixada para a ala de hóspedes como uma empregada. Quando Viviane sussurrou a verdade para mim com um sorriso vitorioso — que seu falecido marido era estéril e que ela havia drogado Dante para forjar a data da concepção —, corri para contar a ele. "Ela está mentindo sobre o bebê, Dante! Arthur era estéril!" Mas ele não acreditou em mim. "Chega desse seu ciúme doentio, Estela", ele rugiu, protegendo-a. "Você vai respeitar a mãe do meu legado." Para provar minha submissão, ele me forçou a levá-la para comprar o vestido de noiva. Quando uma pesada arara de ferro tombou na butique, Dante se moveu com uma velocidade desumana. Ele mergulhou para proteger Viviane, envolvendo-a num casulo seguro. E me deixou ali. Sozinha. O metal despencou, esmagando minhas costelas e me prendendo no chão. Enquanto eu lutava por ar, o gosto de sangue invadindo minha boca, eu o vi carregá-la para fora sem olhar para trás uma única vez. Acordei no hospital ao som dele a consolando no quarto ao lado. Ele nem sequer perguntou se eu havia sobrevivido. Naquela noite, eu não chorei. Arranquei o acesso intravenoso do meu braço, triturei cada foto nossa na cobertura e embarquei num avião para um território neutro, onde o poder do Don não significava nada. Quando ele encontrou o anel de noivado que eu deixei no lixo, eu já estava longe.
O Retorno da Bailarina

O Retorno da Bailarina

As luzes do palco deveriam ser meu refúgio e o caminho para salvar meus pais. Eu era Sofia, uma bailarina que dançava com a alma, sempre beirando a vitória. Mas a vitória nunca vinha. Sempre era Paula, a filha do coreógrafo famoso, vencendo por exatos 0.5 pontos. Minha bolsa de estudos, a única chance de pagar o tratamento dos meus pais, me escapava repetidamente. Naquela vida, vi meus pais definharem, a esperança se esvaindo a cada derrota, até que a última, a mais cruel, os levou. Eles morreram, e eu, sem vida em meu apartamento, com o troféu de segundo lugar na mão, os segui. Mas então, eu abri os olhos novamente. Eu estava viva, um ano no passado, antes de todo o sofrimento começar. Meus pais, vivos! Era uma segunda chance, não para vencer, mas para fazer justiça. Tentei mudar o jogo, mas o sistema era mais profundo do que eu imaginava, e Paula continuava a vencer por 0.5 pontos, mesmo quando dançava horrivelmente. Descobri que um amuleto "da sorte" que meu namorado e Paula me deram era um dispositivo de espionagem, roubando minhas coreografias. Meus pais adoeceram novamente, e a ligação de Paula ao hospital, avisando da minha "derrota humilhante", quase os matou. Foi então que percebi: não só Paula e seu pai eram corruptos, mas o hospital também. Chegou a final, e eu não dancei. Meu "zero" e o "0.5" de Paula desmascararam a fraude, mas ela me atacou, usando a doença de meus pais. Aquela foi a gota d' água; minha raiva se transformou em um plano frio e calculista. A festa de gala da família de Paula, onde ela celebraria sua vitória fraudulenta, seria o palco da minha vingança. Com um pendrive e a ajuda de um jornalista investigativo, revelei a todos as fraudes do pai de Paula, desmascarando a manipulação das competições e a corrupção no hospital. O circo desmoronou: o pai de Paula foi preso, ela enlouqueceu, e eu, Sofia, a dançarina que não se curvou, obtive justiça. Meus pais se recuperaram, e eu ganhei uma bolsa para a academia internacional, finalmente dançando por pura alegria e liberdade.
A Vingança da Herdeira Roubada

A Vingança da Herdeira Roubada

O médico disse que a FIV falhou. Mais um ciclo, mais uma esperança a desvanecer-se. Três anos a tentar, com o dinheiro a escassear. Em casa, o silêncio era esmagador, um eco da minha alma vazia. Abri o portátil, a nossa conta poupança. O saldo: 7,84€. Cento e cinquenta mil euros da herança da minha avó tinham desaparecido, transferidos para uma conta desconhecida. Miguel chegou. O seu sorriso congelou ao ver o ecrã. "Miguel, onde está o dinheiro?" Ele confessou, num sussurro covarde. "Foi para a Sofia. O negócio dela..." Sofia, sua irmã mimada, irresponsável. Ele dera a nossa última esperança a ela. A sua família tentou justificar, minimizando a traição como um "empréstimo" e chamando-me de "dramática". "É só dinheiro", disse Miguel, com uma calma que arrefeceu a minha dor em gelo. "Não sejas tola, Lúcia. O casamento é para sempre", implorou a minha sogra. A herança da minha avó. O nosso sonho de um filho. Tudo roubado para salvar uma boutique de luxo. Senti-me perdida, cercada por uma família que validava o abuso. No entanto, a verdade nua e crua veio de forma mais fria. Escondida no escritório de Miguel, ouvi a Sofia rir: "Ela acreditou mesmo que eu ia pagar?" E Miguel, o meu marido, concordou em mentir. Para me proteger de quê? Da verdade? Não. Para proteger a sua irmã. Ele não ia me defender. Ele nunca o faria. Naquele momento, não havia mais dor; apenas uma clareza cortante. Naquela noite, eu estava num jantar na casa dos meus sogros, uma armadilha de falsa reconciliação. Eles apresentaram um acordo para eu assinar, "para a minha paz de espírito". Eu sorri. Tirei da mala a notificação judicial. "Eu não vou assinar isso. Isto, no entanto, é para vocês." Deixei-os no caos. O meu inferno tinha-os encontrado.
A Vingança de Eva: Quando a Dor Se Torna Força

A Vingança de Eva: Quando a Dor Se Torna Força

Quando abri os olhos, o cheiro de desinfetante invadiu-me as narinas e a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital. A minha melhor amiga, Sofia, estava ao meu lado, com os olhos vermelhos de chorar. «Finalmente acordaste, Eva.» disse ela, a voz rouca. Mal sabia eu que a minha vida tinha acabado de ruir. A minha mãe, a minha querida mãe, o meu porto seguro, estava morta. Não um acidente qualquer: o meu marido, Pedro, escolheu a fobia de rato da sua irmã em vez de nos levar ao hospital para o tratamento de cancro da minha mãe. Ele abandonou-nos. E agora, ela não estava mais connosco. No funeral, a família dele fez um espetáculo de luto, o pai dele tentou intimidar-me, e a irmã, Júlia, choramingou como sempre. A raiva explodiu em mim. «Eu quero o divórcio!» gritei, perante todos. Pedro tentou comprar o meu silêncio, insistindo que eu estava louca de dor. Ele e a sua mãe arrogante exigiram metade da casa, mesmo sabendo que era um presente da minha mãe. Mas eu não era a mesma Eva. Decidi lutar, contratar um advogado. Foi então que uma verdade ainda mais chocante veio à tona. Júlia, em segredo, revelou que o motorista do acidente, Mário Costa, era um ex-funcionário do pai dela e recebeu uma quantia enorme um dia depois do acidente. Tinha sido ele a ameaçar a minha mãe para vender ações da empresa. Como se não bastasse, o pai de Pedro, Afonso, veio ter comigo para me ameaçar, dizendo que "acidentes acontecem todos os dias", sem saber que eu os estava a gravar. O meu luto transformou-se em uma sede fria por justiça. A morte da minha mãe não foi um acidente, foi um crime orquestrado. Eles pagariam. Todos eles. Preparei-me para a sua queda.
A Escolha Dele, A Minha Guerra

A Escolha Dele, A Minha Guerra

O cheiro a gasolina e a pneu queimado encheu o ar. Grávida de sete meses, a minha única preocupação era o bebé. A minha cabeça bateu no vidro lateral. A dor era excruciante. Mas foi a voz do meu marido, Leo, que me quebrou. Em vez de chamar ajuda depois do acidente, ele atendeu uma chamada. "Sofia? O que se passa? Estás bem?". Não era para mim. Era para a irmã dele, cujo gato tinha vomitado. Lá jazia eu, grávida e a sangrar, e ele saiu do carro. "Clara, não vês que a minha irmã precisa de mim?". Partiu, deixando-me sozinha nos destroços. O meu filho, Tiago, nasceu prematuro, uma luta que ele infelizmente perdeu. Pior que a perda, foi a indiferença do Leo, a sua preocupação constante com a "traumatizada" Sofia e o seu gato. A sua família ligou-me no hospital, não para saber do neto, mas para me acusar de stressar o Leo. Com o coração dilacerado, descobri a derradeira traição: o Leo transferia fortunas para a Sofia, enquanto me negava o essencial. Mas o fundo do poço veio na mediação do divórcio. Sofia olhou-me nos olhos e vociferou: "Ela nunca quis o bebé! Provavelmente ficou aliviada por se livrar dele!". O ar saiu dos meus pulmões. As suas palavras cruéis não me destruíram. Em vez disso, alimentaram uma chama fria e implacável dentro de mim. "Obrigada, Sofia", disse eu, a minha voz clara e firme. "Acabaste de garantir que eu não vou aceitar menos do que cada cêntimo a que tenho direito." A guerra tinha começado. E eu estava pronta.
Seu Amor, a Prisão Dela, o Filho Deles

Seu Amor, a Prisão Dela, o Filho Deles

Por cinco anos, meu marido, Ricardo Montenegro, me manteve trancada em uma clínica de reabilitação, dizendo ao mundo que eu era uma assassina que havia matado a própria irmã postiça. No dia da minha libertação, ele estava esperando. A primeira coisa que fez foi jogar o carro para cima de mim, tentando me atropelar antes mesmo que eu saísse da calçada. Meu castigo, ao que parecia, estava apenas começando. De volta à mansão que um dia chamei de lar, ele me trancou em um canil. Forçou-me a bater a cabeça no retrato da minha irmã "morta" até meu sangue manchar o chão de mármore. Fez-me beber uma poção para garantir que minha "linhagem amaldiçoada" terminasse em mim. Ele até tentou me entregar a um sócio nojento e tarado por uma noite, uma "lição" pela minha rebeldia. Mas a verdade mais cruel ainda estava por vir. Minha irmã postiça, Isabela, estava viva. Meus cinco anos de inferno foram todos parte do seu jogo doentio. E quando meu irmãozinho Lucas, minha única razão de viver, testemunhou minha humilhação, ela o mandou jogar escada de pedra abaixo. Meu marido o viu morrer e não fez nada. Morrendo pelos ferimentos e com o coração partido, eu me joguei da janela de um hospital, meu último pensamento um juramento de vingança. Abri os olhos novamente. Eu estava de volta ao dia da minha libertação. A voz da diretora era monótona. "Seu marido arranjou tudo. Ele está esperando." Desta vez, seria eu a esperar. Para arrastá-lo, e a todos que me fizeram mal, direto para o inferno.
O Abandono em Águas Turbulentas

O Abandono em Águas Turbulentas

A tela do meu celular iluminou o quarto escuro do hotel, mostrando um alerta vermelho de tempestade. O hotel ficava numa área baixa e precisávamos sair. Liguei para o meu marido, Pedro, pela décima vez, mas ele só atendeu na décima primeira, com a voz cheia de irritação. Ele bufou quando eu implorei para ele vir nos buscar na tempestade. "Ana, para de ser tão dramática! É só um pouco de chuva", disse ele. Então ouvi a voz da Clara, a filha da nossa vizinha, choramingando sobre o cachorrinho doente. Imediatamente, o tom do Pedro mudou para suavidade e preocupação. "Não te preocupes, Clara. Eu levo-te já. O Floco vai ficar bem." Quando eu disse que a tempestade era séria e que a Sofia, minha irmã, estava aqui, precisávamos dele, ele explodiu. "Ana, para de ser tão egoísta! A Clara está sozinha! Um cão é uma emergência! Tu e a Sofia podem chamar um táxi. Eu tenho de ir agora." Ele desligou na minha cara. O hotel estava a inundar, a água já nos chegava aos tornozelos no corredor, mas nenhuma aplicação de transporte aceitava corridas. Liguei novamente, mas ele me bloqueou. Desesperada, tentei acordar a Sofia, que dormia profundamente. Conseguimos descer as escadas, que pareciam uma cascata, com outros hóspedes em pânico. No lobby, a água já nos chegava à cintura, com destroços flutuantes. As portas de vidro da frente estavam estilhaçadas e a rua era um rio furioso, arrastando pessoas. Estávamos presas, sem saída. Então minha sogra ligou, a voz fria e acusadora. Perguntou o que eu fiz para irritar o Pedro, que ele estava furioso e que eu o estava a incomodar com coisas sem importância enquanto ele ajudava a pobre da Clara. Eu disse que estávamos presas num hotel inundado, a água a subir. "Não sejas tão dramática! O Pedro disse que era só uma chuvinha!" Ela retrucou e desligou. A água aos nossos pés já nos batia no peito. Eu não conseguia entender. Como um marido podia abandonar a esposa e a irmã em face de um perigo de vida ou morte? Como uma mãe podia defender seu filho por priorizar um cachorro moribundo em vez de duas vidas humanas? Por que eles me acusavam de egoísmo quando a vida da Sofia e a minha estavam por um fio? Em meio ao caos, meu telefone tocou novamente. Era o Pedro. Meu coração deu um salto de esperança, talvez ele tivesse voltado a si. Mas do outro lado da linha, antes mesmo de eu falar, ele disse que o Floco estava estável e já estava a caminho de casa. A tempestade estava a acalmar, e eu deveria ligar para a emergência sozinha. Desligou novamente. O som do silêncio que se seguiu foi mais alto que a tempestade, e a Sofia olhou para mim, os olhos arregalados, a esperança morrendo. Eu sabia. Sabia que precisava nos tirar dali, e que seria sozinha. Mas como? E o que aconteceria quando eu saísse dessa provação?