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Livros de Romance Para Mulheres

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Um Lugar Seguro #1

Um Lugar Seguro #1

Amandla Salvino, se alguém olhasse para ela, apenas de relance, pensariam: 'Que menina linda e bem cuidada, está tão comportada sentadinha naquele banco de praça. ' Mas o que eles não veem é que por trás da beleza daquela criança, existe uma tristeza enorme. Amandla sempre achou que se fizesse as vontades de sua mãe ou ficasse quietinha em seu canto, sua mãe a trataria com amor e carinho, pois é isso que as mães de seus coleguinhas de classe faziam quando iam leva-los ou busca-los na escolinha. Mas isso nunca funcionou aos seis anos de idade ela parou de frequentar as aulas, sua mãe estava cansada de perguntas sobre as marquinhas roxas no corpinho frágil de sua menina. Amandla nunca soube quem era seu pai e sua mãe sempre a culpava por ele não ir vê-la. Com o passar dos anos, as coisas para Amandla só pioravam, ela nem saia mais de casa e se sua mãe a visse olhando pela janela, era mais um motivo para apanhar, como se sua mãe precisasse de motivos. E como se nada pudesse piorar, o mais novo namorado de sua mãe a encarava de forma estranha e esse foi o que mais durou. Quando fez seus 13 anos de idade, em vês de festa e bolo, ela foi abusada sexualmente pelo então namorado de sua mãe. Os abusos duraram até seus 14 anos e meio, só acabou, pois sua mãe os pegou juntos e em vês de finalmente ser a mãe que deveria ser ela expulsou sua fila de casa, á lançando a sua própria sorte. Quando Amandla saiu porta a fora da casa de sua mãe, ela nunca esteve tão feliz, mesmo sem ter pra onde ir, onde ficar, ela sorriu aliviado, pois estava livre dos maus tratos cometidos por sua mãe e livre dos abusos sexuais cometidos por seu padrasto. Nessa nova jornada pela vida, Amandla vai conhecer pessoas que mudaram seus pensamentos, sobre existir no mundo pessoas apenas más, como sua mãe, seu padrasto e seu pai, que nunca quis saber de sua existência. Então venham com ela nessa nova jornada que começa AGORA. #BoaLeitura
De Pianista a Professora: Um Novo Acorde

De Pianista a Professora: Um Novo Acorde

Acordei no hospital, com a cabeça a latejar e o cheiro a desinfetante. A primeira coisa que perguntei foi pelo Pedro, o meu marido. A minha sogra suspirou com alívio, mas o sorriso congelou quando evitei o olhar. "O Pedro... ele teve de ir cuidar de um assunto urgente para a Sofia." Sofia. A minha melhor amiga. Dezenas de chamadas perdidas para ele. Liguei novamente. "Beatriz? O que foi agora? Estou ocupado." Ouvi a voz dengosa da Sofia ao fundo. Eu tinha acabado de perder o nosso bebé num acidente. A minha mão estava gravemente ferida. E ele? A cuidar do braço da Sofia? "Pedro," disse, a minha voz a tremer, "vamos divorciar-nos." Ele explodiu em raiva, acusando-me de egoísmo. "Eu salvei a Sofia! Não tens compaixão?" Salvar? O acidente dela foi a quilómetros do meu. Ele foi ter com ela. Dias depois, o médico confirmou: a minha carreira de pianista, a minha vida, tinha acabado. Pedro encolheu os ombros: "É só um piano! Eu compro-te outro! Podes tocar em casa, para mim." Foi a gota de água. Aquele homem para quem eu tinha dado tudo, a minha alma, o meu corpo, os meus sonhos… Ele zombou: "Tu não tens nada, Beatriz. Vais acabar na rua." Mas a Beatriz que ele conhecia tinha morrido naquele acidente. Liguei à advogada. Era a hora de lutar. Eu não tinha nada? Não tinha? Ele ainda não sabia a força de uma mulher disposta a recuperar tudo o que lhe foi tirado. Isto não era um fim, era o início.
Promessas Quebradas, Amor Encontrado

Promessas Quebradas, Amor Encontrado

O cheiro de fumaça e a dor da traição foram as últimas coisas que senti. Gabriel, o homem que eu amava, me deixou queimar, fugindo com Isabela, deixando-me para ser consumida pelas chamas que ele mesmo ajudou a acender. Meu coração se partiu em mil pedaços, não pelo fogo, mas pela escolha dele, morri ali, com o gosto de cinzas e promessas quebradas na boca. Mas abri os olhos novamente, viva, na mansão da minha família, no dia da minha festa de noivado, o dia em que tudo começou a dar errado. Eu tinha voltado no tempo. Um lustre despencou, e Gabriel, sem hesitar, empurrou Isabela para longe do perigo, usando o próprio corpo como escudo, enquanto eu, sua noiva, caí com o ombro sangrando. Ele nem me olhou, só tinha olhos para ela, perguntando: "Você está bem? Você se machucou?". Minha mãe e os convidados assistiram, chocados, à cena da minha humilhação. Lucas, o filho do caseiro, foi o único a correr para me ajudar, estancando o sangue e questionando a crueldade de Gabriel. "A sua noiva está sangrando e você nem olhou para ela!", ele gritou. Mais tarde, Gabriel invadiu meu quarto, não para se desculpar, mas para implorar pelo livro de receitas da minha avó, um tesouro de família, para salvar o arranhão "mortal" de Isabela. Ele se ajoelhou e ofereceu um casamento arranjado em troca do livro: "Eu caso com você. Agora mesmo. Apenas me dê a receita". Sua audácia me revoltou: "O que eu queria era alguém que me amasse. Não alguém que me usasse como um prêmio de consolação". Então, ele me acusou: "De certa forma, é por sua causa que ela está assim". A raiva me impulsionou. Abri a janela, segurei o livro sagrado da minha avó e, diante dos olhos gananciosos de Gabriel, eu o soltei. "Você está louca?!", ele berrou. "Não", respondi, sentindo a liberdade. "Estou livre. Acabou, Gabriel. Nós acabamos." No dia seguinte, Isabela apareceu, suja e descabelada, e me acusou: "Foi a Júlia. Ela me trancou no antigo galpão de jardinagem. Ela disse que se eu não pudesse ter o Gabriel, ninguém poderia". O choque preencheu o salão, mas a surpresa veio dela: "Você também voltou, não é?". Ela sabia. A inveja distorcida dela era palpável: "Você sempre teve tudo, Júlia. Eu não tenho nada!". Isabela se jogou sobre mim, e caímos juntas da sacada, minha perna se quebrando sob o impacto. Gabriel, mais uma vez, ignorou meu sofrimento, correndo para ela, e ainda me esbofeteou, cego: "Você tentou matá-la!". Meu pai o expulsou, e eu, quebrada e humilhada, me vi novamente à beira do abismo. Mas Lucas, sim, Lucas estava lá, me visitando todos os dias, lendo para mim, sua presença era um consolo que me fazia questionar. No dia da minha maioridade, Gabriel e Isabela invadiram o salão, ele berrou para todos ouvirem: "Eu não amo a Júlia! Eu nunca a amei! A única mulher que eu amo é Isabela!". A humilhação foi pública, mas então, minha mãe fez o anúncio que mudaria tudo: "Eu tenho a honra de anunciar o noivado da minha filha, Júlia, com o Sr. Lucas Pereira". O mundo de Gabriel desabou. Ele me confrontou, furioso: "Tudo plano seu, não foi?!". Mas eu finalmente sorri. "Não", declarei, "Eu simplesmente não te amo mais. Você não significa nada para mim." Voltei-me para Lucas, peguei sua mão e, diante de todos, o beijei de verdade. Gabriel cambaleou, destruído, e eu soube que era o começo. Dias depois, um convite de casamento chocante chegou de Gabriel. Fomos. Na recepção, ouvi Isabela se gabar do seu plano, de como ela forjou o sequestro e a queda para me incriminar. Mas Gabriel também ouviu. Ele cambaleou para o palco, pegou o microfone e gritou: "Acabou! O casamento está cancelado!". Ele se jogou aos meus pés, lágrimas escorrendo: "Eu te amava. Eu sempre te amei. Por favor, me perdoe!". Olhei para ele, e não senti nada. "Não, Gabriel. Eu não te amo mais. O problema sempre foi você." Deixei-o lá, peguei a mão de Lucas e saí, rumo ao meu sonho, minha padaria.
O Preço do Meu Sacrifício

O Preço do Meu Sacrifício

O cheiro de desinfetante no hospital era forte, mas o que me atingia era o frio interno, dos meus órgãos parando. O médico olhou para mim e depois para Isabella, minha namorada, com uma expressão grave. "A intoxicação alcoólica aguda causou falha renal. O único rim que ele tem está entrando em colapso." Isabella, por quem doei um rim há um ano, nem me olhou. Lixava as unhas, entediada. "E daí? Ele nem aguenta umas bebidas a mais para ajudar o Carlos a fechar um negócio? Pra que serve esse pobretão?" Eu via tudo, não podia gritar que o rim que falhava era o único que me restava, o outro estava nela. Minha sogra, Sra. Helena, a única que me amava, entrou correndo, os olhos inchados. Ela implorou a Isabella para assinar os papéis da cirurgia de emergência. Isabella pegou o documento, riu e o jogou no lixo. "Deve ser mais um truque sujo dele para me conquistar." Sra. Helena, desesperada, ajoelhou-se no chão frio, humilhando-se pela minha vida. Isabella, furiosa, gritou que não se lembrava de me amar, que amava Carlos, e fez os seguranças arrastarem Sra. Helena para fora. A amnésia dela era uma farsa. Ela me usou como "escudo de bebida" para Carlos, esperando se livrar de mim depois. Mas subestimou minha capacidade de morrer. Comecei a perder a visão. Minha alma se desprendeu do corpo. Eu flutuava perto do teto, vendo meu próprio rosto pálido e Isabella mandando mensagem para Carlos. Relembrei o dia da doação do rim. Eu daria minha vida por ela e, de fato, dei. Meus sonhos de ser arquiteto, sacrificados. O médico retornou. "O coração dele está parando. É a última chance." Isabella disse, com desdém: "Já disse que não. Ele não é nada para mim. Deixem-no em paz." O médico, chocado, sabia do rim. A história do meu sacrifício era conhecida. Agora, terminava de forma sórdida. Minha alma era uma testemunha impotente da minha própria morte, orquestrada por ela. A linha do monitor cardíaco, antes viva, tornou-se reta. "Hora da morte: 23h42" , disse o médico, desligando o monitor. Lá fora, Sra. Helena implorava para entrar, para me salvar, mas foi impedida. "A acompanhante responsável nos deu ordens claras. Não podemos fazer nada." Ela buscou ajuda administrativa, mas o poder de Isabella e Carlos já havia tomado conta do hospital. Desesperada, Sra. Helena pegou o celular para chamar a polícia. Uma sombra surgiu atrás dela. Carlos. Ele a agrediu violentamente, socando-a e chutando-a, enquanto me difamava, chamando-me de "peso morto" . Minha alma se contorcia de raiva. Eu era um espectro, incapaz de defender a única pessoa que se importava. Carlos destruiu o celular dela, quebrando a última chance de ajuda. Ela cuspiu, ensanguentada: "Você... você é um monstro." Ele riu, cruel. "Estou apenas limpando a bagunça. O Pedro já era." Ele a pegou pelos cabelos. "Ou talvez seja hora de você se juntar a ele." A ameaça era fria e mortal. Ele silenciaria qualquer um que chorasse por mim. Ele ligou para Isabella. "Sua mãe ficou completamente louca! Ela me atacou!" Vi Carlos arranhando a própria cara, sem soltar Sra. Helena. Isabella, impaciente, ouviu os murmúrios de sua mãe, a acusando. Carlos aumentou a pressão sobre Sra. Helena, que gemeu. Isabella, convencida de que ela enlouquecera, se apressou. Carlos escondeu Sra. Helena machucada sob um lençol. Isabella mandou tirar o lençol, desconfiada de um bracelete. Carlos inventou uma mentira grotesca: Sra. Helena tentava roubar joias de mim e caiu da escada. Isabella acreditou na farsa, e sua dúvida virou fúria. Ela chutou o amontoado sob o lençol. Um osso quebrou. "Sua ladra! Sua desgraça! Você é nojenta, mãe!" Minha alma gritava. A mulher que a criou estava sendo tratada como um animal. Carlos a arrastou como lixo, mas Sra. Helena esticou a mão em um último e desesperado ato de amor. Isabella voltou ao meu quarto. O cheiro de morte começava. "Pedro? Pare de brincar." Ela me tocou. Frio. Pânico. "Não era pra ser assim. Eu só queria... eu não queria isso." Em puro desespero, ela se esbofeteou. "O que eu fiz? O que eu fiz?" O arrependimento, tardio, era palpável. Mas um médico de Carlos entrou, sorrindo. "Morto? Não, ele é um ator. Ele diminui os batimentos. Maquiagem ajuda. Ele planejou tudo isso para você sentir culpa e voltar pra ele." A mentira, elaborada, extinguiu a centelha de humanidade em Isabella, substituindo-a por fúria. "Aquele... desgraçado! Ele se atreve a me enganar desse jeito?" Ela trancou a porta. "Não deixe ninguém entrar. Ninguém." Uma enfermeira correu. "Sra. Helena está em estado gravíssimo. Múltiplas fraturas, hemorragia interna. Não parece bom." Isabella franziu a testa. "Minha mãe é uma ótima atriz, assim como o Pedro. Deve estar fingindo." O celular de Isabella tocou. Carlos, fingindo estar doente. "Oh, meu amor! Onde você está? Estou indo para aí agora mesmo!" Ela correu, sem olhar para trás. Minha alma, pesada, encontrou Sra. Helena jogada em uma maca, esquecida. "Me perdoe. Tudo isso é minha culpa." Isabella chegou ao apartamento de Carlos, que gemia dramaticamente. Um médico particular, pago por Carlos, diagnosticou um "resfriado forte" . Carlos, mestre da manipulação, pediu Isabella em casamento. Ela hesitou: "Eu ainda sou casada com o Pedro." "Então nos livramos do papel. Ele já te traiu." Isabella ligou para o advogado, pedindo o divórcio, transformando meu fim em tortura psicológica. Isabella voltou ao meu quarto com os papéis do divórcio. "Acabou a peça, Pedro. Quero o divórcio." Ela me chutou, sacudiu, jogou água no meu rosto. Nada. O copo caiu. A negação dela se quebrou. Ela buscou um pulso. Nada. Pressionou o ouvido no meu peito. Nada. "Não... não. NÃO!" Um grito gutural. Ela caiu, olhando meu corpo. Ele não estava fingindo. Ele estava morto. E a culpa era dela. "Fui eu. Eu te matei." Ela se arrastou até a cama. "Seu rim… você me deu seu rim… e eu te matei." A verdade e a culpa a esmagaram. "Minha mãe..." Ela correu para a emergência. Sra. Helena estava entubada, cercada por monitores perigosos. "As lesões internas são graves. A fratura perfurou um pulmão. Estamos perdendo-a." Pânico genuíno. "SALVEM-NA! Não me importo com o custo!" Enquanto Sra. Helena era levada à cirurgia, Isabella tremeu. Se o médico de Carlos mentiu sobre mim, Carlos... "A queda... Não foi uma queda." Uma nova fúria. Ela marchou para a sala de segurança. "Mostre-me as gravações do corredor da emergência de ontem à noite." Ela viu Carlos agredir Sra. Helena. Viu Carlos mentindo para ela. E viu, com horror, ela mesma desferindo o chute final. O mundo de Isabella desmoronou. Ela era parte da crueldade. Suas mãos cerraram. "Carlos..." Ela sibilar o nome dele, e não havia amor, apenas a promessa de uma retribuição terrível.
Adeus Lisboa, Olá Paraíso: A Vingança da Ana

Adeus Lisboa, Olá Paraíso: A Vingança da Ana

Fui Ana, a Rainha do Fado, casada com Diogo, o Barão do Vinho. Celebrados nas revistas de sociedade como "O Conto de Fadas Moderno" , eu era a sua musa, a alma de Lisboa unida ao poder do Douro. Ele prometeu-me lealdade eterna, que a sua vida "começava e acabava comigo". As suas palavras eram como um vinho do Porto vintage, ricas e complexas, um amor que eu, a fadista que cantava a dor dos outros, nunca pensei querer. Mas o aroma desse vinho tornou-se vinagre. O sorriso carismático de Diogo tornou-se uma máscara. Comecei a ver. Numa escapadela "romântica", os seus olhos fixos no telemóvel, um sorriso cúmplice para uma influenciadora digital, Sofia, que no Instagram bradava ter um "admirador secreto" com o username "VinhoAmor" - o perfil privado de Diogo. O cheiro do perfume dela, uma picada invisível no meu coração. A dor era física, uma nota de fado presa na garganta. Ele chamava-me "pálida" e "cansada", propondo que eu "descansasse dos fados", tentando silenciar a minha alma. Naquela noite, vi-o mentir novamente, a falsa "emergência na adega" levando-o direto para o aeroporto, para um voo para Faro, para Sofia. As lágrimas escorriam-me pelo rosto enquanto assistia ao seu olhar faminto e possessivo no vídeo que ela publicara. Mas o pior estava por vir. Ouvi-o gabar-se aos amigos, com uma gargalhada presunçosa, que a "paixão vibrante" dela era "bem mais divertida do que um fado triste". E depois, o golpe final: uma foto no meu telemóvel, enviada por ela, de um teste de gravidez com duas riscas. "Parabéns, papá. O nosso 'vinho do amor' deu frutos." Naquele abismo de humilhação e traição, a dor cessou. A Ana fadista morreu, e uma nova mulher nasceu. Numa chamada telefónica fria, um advogado confirmou a renúncia da minha cidadania portuguesa. Sobre a mesa, um bilhete de avião apenas de ida, Lisboa para o Rio de Janeiro. Não havia perdão, nem volta a dar. A sua lealdade quebrada e a minha dignidade pisada forjaram uma determinação inabalável para desaparecer, para o apagar da minha vida, e para o fazer pagar por cada mentira.
Desejo de Amar, Vontade de Partir

Desejo de Amar, Vontade de Partir

Eu fiz três desejos a Lucas em três momentos cruciais da minha vida. Aos quinze, sonhei que ele, o melhor amigo do meu irmão, finalmente me notasse como mulher. Aos vinte e três, desejei que Lucas, meu namorado por alguns anos, me pedisse em casamento. Hoje, no meu aniversário de trinta, com um anel de noivado no dedo, fiz um desejo para mim. "Eu desejo me afastar de você, Lucas." A música parou. Os convidados me encararam, confusos. Lucas, ao meu lado, congelou. "A Duda bebeu um pouco demais, pessoal", ele sorriu, forçado. Ele roubou o microfone. "Que porra você tá fazendo, Maria Eduarda? Quer estragar a sua própria festa?" A festa "minha", mas era toda dela. Balões dourados, bolo de chocolate com morango, a playlist... tudo dela. Ele me olhou com desdém. "Amanhã você vai acordar de ressaca, arrependida, e vai me ligar pedindo desculpas, como sempre. Você sempre volta." Sorri, mas sem alegria. Ele não sabia, mas a passagem para Lisboa de só ida estava comprada. Uma hora antes, eu o observava ser o centro das atenções, com Rafaela grudada. Ele me trouxe um perfume genérico, presente comprado por obrigação. "Duda, eu já pedi desculpas por não ter tido tempo de comprar algo melhor. O projeto da Rafaela consumiu meu tempo." Rafaela. Sempre Rafaela. Naquele momento, decidi. Levantei, peguei o microfone e fiz meu desejo em voz alta. "Eu não bebi, Lucas. E eu não vou te ligar amanhã." Ele apertou meu braço. "Você é tão difícil de agradar? Eu organizo essa festa toda para você, gasto uma fortuna, e é assim que você me agradece?" A calma se quebrou em mim. "Essa festa? Você chama isso de festa pra mim? Lucas, olhe em volta! Nada aqui é pra mim! Essa festa é para a Rafaela!" O rosto dele ficou vermelho. "Não ouse colocar a Rafaela no meio disso! Ela não tem nada a ver com as suas neuroses!" Rafaela se aproximou, olhos cheios de lágrimas falsas. "A culpa é minha. Lucas, talvez seja melhor a gente ir embora." A performance foi perfeita. Os olhares de reprovação caíram sobre mim. "Eu não acredito que você se rebaixou a esse nível, Maria Eduarda. Estou profundamente decepcionado com você." Ele a pegou pela mão e a guiou para fora. Me deixou para trás. Sozinha. Na minha própria festa.
O Diário Escondido: Uma Verdade Mortífera

O Diário Escondido: Uma Verdade Mortífera

Quando o médico me disse que o meu noivo, Léo, estava com morte cerebral, o meu mundo desabou. Eu estava em choque, perdida na dor e no luto. Mal tinha tido tempo de absorver a tragédia quando a sua mãe, a Sra. Helena, agarrou-me pelo braço. Com os olhos vermelhos e inchados, ela e o Sr. Matias imploraram-me. "Léo não ia querer deixar-te desamparada. Casa com o irmão dele, o Hugo. É o desejo dele." Eles usaram as minhas emoções contra mim. O Léo, o meu sol, tinha um irmão gémeo, o Hugo, tão frio como o gelo. Ele nem me olhou, mas a sua voz cortou o ar: "Casa comigo. Vou tratar de ti." Senti-me numa encruzilhada impossível. A culpa pelo acidente do Léo, que aconteceu a caminho do meu jantar de aniversário, pesava sobre mim. A empresa deles estava em crise, um escândalo poderia destruir tudo o que o Léo e o pai construíram. Eles manipularam-me para o aceitar. Eu não queria, mas o meu "sim" saiu numa espécie de torpor. Aceitei porque queria honrar o Léo. Assim, casei-me com o Hugo. Rapidamente, silenciosamente, sem testemunhas. Ele guiou a minha mão trémula para assinar os papéis. Eu estava presa. Presa a um casamento sem amor, numa casa cheia de fantasmas. Presa a um homem que mal olhava para mim, mas deixava dinheiro na mesa para minhas "despesas". Eu sentia-me como uma estranha, uma peça num jogo que não entendia. Então, uma semana depois do casamento, a Sra. Helena veio visitar-me. O seu sorriso amável era agora uma máscara por detrás da qual se escondia uma exigência terrível. "Tens um dever, Sofia. Precisas de nos dar um herdeiro. Um neto que continue o legado do Léo." Fiquei gelada. Ela estava a transformar-me numa incubadora. Percebi que não era amor, nem desejo de honrar o Léo. Era manipulação. Eles queriam um sucessor, não uma esposa. A cada menção ao Léo, a culpa intensificava-se. Mas desta vez, o meu "não" saiu firme. A fúria dela transformou o seu rosto. "És ingrata! O meu filho morreu por tua causa! É o mínimo que podes fazer!" Eu tremia de raiva e desilusão. Senti-me usada e descartável. O que eu era para eles? Uma ferramenta? Naquela noite, o Hugo chegou a casa mais cedo. A minha indignação transbordou. "O que é que tu queres, Sofia?" perguntou ele. As minhas palavras saíram antes que eu pudesse pensar. "Eu quero o divórcio!" Mas não era possível, a empresa ainda não estava estável. Ele só pediu seis meses. "A tua parte é viveres a tua vida," Hugo disse, parecendo oferecer uma réstia de esperança. Seis meses... para uma vida que não era minha. Uma sombra de liberdade prometida. Eu não sabia o vazio que me esperava, mas a verdade estava prestes a surgir. Poderia eu viver com este contrato por mais seis meses? Ou será que esta farsa iria arruinar-me para sempre?