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As mentiras da minha rival me expulsaram da Mackenzie. A briga que tive com meus pais depois disso foi a nossa última; eles morreram em um acidente de carro naquela noite, me deixando com uma dívida esmagadora e meu irmão rebelde, Benício.
Para salvar Benício de ir para a FEBEM por uma briga que ele não começou, aceitei um emprego humilhante em uma boate de luxo, um lugar onde minha dignidade era o preço da entrada.
Lá, fui forçada a me ajoelhar diante do meu ex-noivo, Dimitri. Ele assistiu com uma indiferença glacial, agora noivo da mulher que destruiu minha vida. Ele era até mesmo o advogado da família que Benício supostamente havia agredido, sua voz uma arma enquanto ele me envergonhava publicamente.
Ele era tudo para mim, mas acreditava que eu era um monstro. Ele ficou de braços cruzados enquanto meu mundo desmoronava, escolhendo defender a mulher que orquestrou minha queda.
Depois que a verdade foi finalmente exposta, ele sacrificou tudo por mim, perdendo sua carreira e fortuna em uma tentativa desesperada de redenção. Mas era tarde demais. Eu já tinha pegado meu irmão e me mudado para o Rio de Janeiro, pronta para construir uma nova vida e encontrar um novo amor, longe do homem que estilhaçou a antiga.
Capítulo 1
Juliana Coutinho POV:
O cheiro enjoativo de café velho e gentilezas forçadas pairava na sala de mediação como uma mortalha. Eu queria poder desaparecer através do piso de linóleo barato. Mas eu não podia. Não com Dimitri Andrade sentado à minha frente, seu rosto uma máscara de indiferença fria e profissional, exatamente como tinha sido três anos atrás, no dia em que ele destruiu minha vida.
Três anos. Parecia uma vida inteira. Uma vida atrás, eu era Juliana Coutinho, uma estudante de história da arte na Mackenzie com um fundo fiduciário e um futuro tão brilhante quanto o sol de São Paulo. Dimitri era tudo para mim, o ambicioso estudante de direito que me arrebatou, sua intensidade ao mesmo tempo emocionante e reconfortante. Nós tínhamos planos. Grandes planos.
Agora, ele estava aqui. Não como meu passado, mas como um lembrete arrepiante de tudo que eu perdi. Ele estava representando a família de um garoto que meu irmão mais novo, Benício, supostamente havia agredido. A ironia tinha gosto de cinzas na minha boca.
O olhar de Dimitri varreu a sala, pousando brevemente em mim, e depois seguindo em frente como se eu fosse uma estranha. Seu terno escuro era impecável, sua gravata de um azul discreto, sua postura ereta. Ele exalava uma autoridade que fazia o ar crepitar. Ele era tudo que sempre quis ser – um advogado de alto escalão. Eu era... o oposto.
Ele pigarreou, o som agudo na sala silenciosa. "Sra. Coutinho, Sr. Andrade." Ele usou títulos formais, traçando uma linha nítida entre nós. "Vamos rever as evidências."
Ele bateu em um arquivo sobre a mesa, uma pilha grossa de papéis e fotos brilhantes. Meu estômago se contraiu. Isso não era um reencontro. Era uma crucificação.
A voz de Dimitri, que antes era um murmúrio gentil capaz de acalmar minhas ansiedades, agora era uma arma. Ela cortava a tensão, apresentando fatos, datas e ferimentos com uma precisão arrepiante. Ele expôs o caso contra Benício, detalhando como a vítima, um garoto chamado Léo, havia sofrido uma fratura no braço e um grave sofrimento emocional. Suas palavras pintaram um quadro vívido e condenatório.
Minhas bochechas queimaram. Não de vergonha pelas ações de Benício, mas pela pura indignidade de enfrentar Dimitri assim. Engoli em seco, minha voz um sussurro. "Benício não é um valentão. Ele é um bom garoto, só é incompreendido."
Dimitri nem sequer vacilou. Seus olhos, antes cheios de calor por mim, agora eram de granito. "Sentimentos subjetivos não obscurecem fatos objetivos, Sra. Coutinho. As evidências dizem o contrário."
Olhei para Léo, que estava sentado ao lado de Dimitri, com o braço na tipóia, os olhos arregalados e assustados. Benício, largado em sua cadeira ao meu lado, tinha o maxilar cerrado, o olhar fixo no chão. Ele se recusava a encontrar os olhos de alguém. Não parecia bom. Eu sabia disso.
"Podemos... podemos ver a filmagem que levou a isso?" perguntei, o desespero se insinuando em minha voz. "Sempre há um motivo. Benício não iria simplesmente-"
"Esquece, Jú!" Benício explodiu, me interrompendo. Ele se afastou da mesa, sua cadeira arrastando ruidosamente pelo chão. "Eu fiz! E daí? Ele mereceu!"
Meu coração saltou para a garganta. "Benício!"
Ele me ignorou, seu olhar furioso pousando em Dimitri. "Quer me punir? Vá em frente! Não tenho medo de você, seu engomadinho."
Benício se levantou de um salto, saindo furioso da sala. A porta bateu atrás dele, sacudindo as paredes frágeis.
"Benício, espere!" Levantei-me às pressas, correndo atrás dele. Peguei seu braço no corredor. "O que você está fazendo? Precisamos conversar sobre isso."
Ele arrancou o braço, seus olhos em chamas. "Conversar sobre o quê, Jú? Mais desculpas? Mais humilhação? Não é nisso que você é boa?" Ele empinou o queixo. "Assim como você foi boa em deixar eles te expulsarem da Mackenzie, boa em deixar eles tirarem tudo de você! Graças a você, não temos mais nada!"
Suas palavras me atingiram como um golpe físico. Meu corpo enrijeceu, o ar foi arrancado dos meus pulmões. Ele estava certo. Graças a mim, não tínhamos nada. Mas não era minha culpa. Minha mente gritava as palavras, mas minha voz falhou.
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