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O salão vibrava com vida, exalava um charme antigo no tijolo aparente, e na madeira gasta do chão que rangia a cada passo apressado sobre ela.
O cheiro de vinho e tabaco se misturava ao perfume amadeirado dos móveis envelhecidos e, ao fundo, a guitarra sendo afinada emitia um suave som.
As mesas, espalhadas de forma desordenada, estavam cheias de gente — alguns conversavam baixo, outros fitavam o palco, ansiosos pelo espetáculo.
Escondida, a dançarina mantinha o lento inspirar e expirar enquanto fitando as pessoas e tentando suprimir o velho nervosismo de toda noite.
No centro, um tablado escuro brilhava sob os refletores, à espera da dançarina que transformaria aquele espaço num templo de ritmo e paixão.
O brilho suave das velas tremulava sobre as mesas de madeira rústica. A penumbra tornava o ambiente íntimo, como se todos fossem confidentes.
Ali era, decerto, um lugar onde o tempo parecia desacelerar; a música era sentida, antes de ouvida…
O salão mergulhou em silêncio quando Sophia pisou no tablado. As luzes desenhavam sombras douradas sobre sua pele morena, realçando o brilho selvagem dos olhos de mel — o vício dos expectadores.
Seus cabelos longos e escuros, soltos como uma promessa não feita, desciam em ondas leves pelos ombros, prontos para acompanhar cada giro.
A guitarra soou, e ela começou. Primeiro, um movimento lento, quase provocador — o arrastar suave dos pés, o balançar natural dos quadris, como se ela carregasse um ritmo independente da música.
Sua cintura fina se curvava com leveza, enquanto as mãos traçavam gestos fluidos pelo ar, contando longas histórias sem nenhuma palavra.
Num golpe firme, o taconeo estalou no tablado e a dança explodiu. Sua saia rodopiava como uma chama viva, acompanhando a intensidade dos giros.
Havia algo nela que os hipnotizava — uma força além da beleza exótica de seus traços estrangeiros.
A cada batida dos pés e arquejo do corpo, uma sensualidade crua se mesclava à vibrante juventude.
Quando o último acorde se desfez no ar, Sophia parou, com o peito arfando, e o olhar fixo, ardente.
Observando o salão, o feitiço da dança rompeu num instante. Um arrepio rastejou por sua pele ao notar homens ao canto do salão. Não bebiam, nada falavam — só observavam e… observavam demais.
Suor frio se misturou ao brilho da pele sob os refletores, mas ela forçou um sorriso ao cruzar o olhar com um cliente — difícil saber quem era quem…
Ela engoliu em seco, mas forçou um sorriso quando um cliente comum cruzou seu olhar — era difícil saber quem era quem dentre os clientes…
Antes de ser engolida por temor, os aplausos vieram — altos, intensos, mas incapazes de capturar o que deixara ali, impresso no chão, no ar, nos olhares.
Os aplausos ecoavam ao sair do palco, já soando distantes. A cada passo, a tensão da dança dissipava, dando lugar a outro peso — mais cruel e conhecido.
O peito arfava, mas não só pelo esforço. O frio da preocupação se infiltrava sob a pele quente do palco.
A altiva postura da dançaria se desmanchava enquanto os ombros voltavam a pesar e a realidade, muito cruel com a moça, se impunha fortemente.
— Foi ótima! — Álvaro, garçom de sorriso fácil e jeito descontraído, se achegou, sempre a elogiando.
— Eu sei! — Suspirou. — Eu sei! — reafirmou-se.
Aos vinte, ele carregava uma leveza natural.
Alto e de físico esguio, se movia pelo salão com a graça de quem sempre soube dançar, mesmo que seus passos fossem apenas entre mesas e bandejas.
Álvaro tinha cabelos castanho-claros, quase dourados sob a luz quente do restaurante, sempre bagunçados de um jeito proposital — seu charme.
De traços delicados, uma beleza andrógina que chamava atenção sem esforço, e gosto impecável para roupas, mesmo no uniforme simples do trabalho.
— Agora chega o trabalho, não? — A moça o olhou com certa decepção. — É uma vida difícil… Al.
— Vamos agitar! — Ele já se exaltou num tom muito animado. — Não quero essa carinha de quem acabou de ser abandonada no altar… nem é noiva!
Sempre falante, espirituoso e exagerado nos gestos, mas, detrás de seu humor afiado, Álvaro guardava um coração muito leal e generoso.
Eles se entendiam sem precisar de muitas palavras — talvez porque ambos soubessem o que era lutar para tentar achar seu espaço no mundo.
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