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Selene Halloway estava noiva de Cassian Thorn - ou apenas Cas, como ela carinhosamente o apelidara durante a adolescência, quando a paixão intensa e cheia de rebeldia os consumiu. Ambos tinham a mesma idade: vinte e cinco anos, com a pequena diferença de que Cassian era cinco meses mais velho. Selene tinha cabelos negros e uma pele bronzeada que contrastava perfeitamente com seus olhos azul-claros, um detalhe que sempre encantou Cassian desde o dia em que a viu pela primeira vez.
Ele se lembrava nitidamente desse momento, a primeira vez que seus olhos verdes se encontraram com os dela no grande hall da Partenon High School.
Naquela época, Selene era baixa, com os cabelos cortados pouco abaixo do pescoço, pele clara e uma timidez que a tornava alvo das piadas cruéis dos estudantes mais influentes. Tinha acabado de se mudar para Flerks, uma cidade importante, habitada por uma mistura de americanos e alemães. Selene, americana de nascença, destacava-se das outras garotas de um jeito que Cassian nunca tinha experimentado. O destino os colocou lado a lado por acaso, quando esbarraram um no outro nas primeiras duas semanas de aula. A amizade entre eles floresceu rapidamente, muito para o descontentamento das paixões anteriores de Cassian.
Cassian Thorn era o tipo de homem que não passava despercebido. Imagine o homem mais bonito que já viu - e multiplique isso por mil. Cassian era ainda mais impressionante. Alto, talvez vinte centímetros mais alto que Selene, ele tinha um rosto anguloso, cabelos acobreados, olhos verdes intensos e uma pele clara salpicada de sardas, herança de sua mãe. Naquela época, status e poder eram tudo para ele. Capitão do time de basquete, Cassian vivia rodeado de admiração e privilégios. Parte do que Selene conquistou depois, deveu-se à amizade que tinham.
O ensino médio foi uma batalha constante, mas ao final do primeiro ano, Selene já havia se transformado de uma garota tímida na jovem mais popular da escola. Ela trocou a solidão por festas cheias de glamour, afastando-se das pessoas que costumava frequentar. Selene tinha agora as chaves para um novo mundo. Ela não era apenas Selene - era Selene, a namorada de Cassian, a futura senhora Thorn. Os pais de Cassian a adoravam, tratavam-na como uma divindade, e a sabedoria dela a levou a subir, degrau por degrau, até alcançar a mansão da família Thorn quatro anos depois. É fato que Selene Halloway amava Cassian Thorn. Também é fato que Cassian Thorn amava Selene Halloway. Mas, igualmente verdade é que, apesar de todo o amor que sentiam, a fidelidade não era o forte de nenhum dos dois. O relacionamento começou a ruir cedo, mas eles sempre encontravam um jeito de retomar os laços, até que tudo parecia caminhar para a estabilidade - até certo dia.
Cassian tinha um irmão mais velho, que estava estudando fora dos Estados Unidos. Seu nome era Lucian Thorn. Se Cassian era o equilíbrio e a beleza, Lucian era o caos e a tentação. Quando ele voltou para Flerks para assumir os negócios da família, foi o início do fim para o relacionamento de Selene e Cassian. Lucian era o desequilíbrio perfeito, a faísca que incendiaria o que eles levaram cinco anos para construir. E é a partir daqui que a verdadeira história começa.
Como de costume, após uma tempestade em Flerks, o pior havia passado. Nada mais interferiria no dia, exceto os problemas elétricos ocasionais e a retirada das árvores derrubadas pela força implacável da natureza. O asfalto ainda estava molhado, brilhando sob os últimos resquícios de luz, e o vento, forte e frio, soprava cortante pelo horizonte, como se carregasse consigo o peso das árvores que havia derrubado. O frio era um velho conhecido na região, e, desde que Selene Halloway se mudara para cá, quase nove anos atrás, ela se adaptara facilmente.
Os cabelos negros de Selene estavam presos em um rabo de cavalo, prático e elegante. Calçava sapatos pretos, brilhantes, um presente de Cassian. O vestido, da mesma cor, ajustava-se ao seu corpo perfeitamente, alcançando a altura dos joelhos. Um cardigan, um pouco mais escuro que caqui, completava seu visual com classe. A presença dela era inegável - uma mulher esplendorosa que atraía olhares onde quer que passasse. Mas nada em sua aparência chamava mais atenção do que o batom vermelho que acentuava seus lábios e os óculos escuros que davam o toque final ao look daquele dia. Seus passos eram precisos, como se cada movimento fosse calculado.
Selene tinha um destino em mente: um prédio envidraçado a poucos minutos de onde estava, especificamente o décimo andar, segunda porta à direita. Enquanto caminhava, ela recapitulava mentalmente o que estava por vir, como sempre fazia. Era uma mulher determinada, e sua memória afiada muitas vezes deixava os outros intimidados. Assim que entrou no prédio, o som abafado de seus sapatos ecoou no saguão elegante. Ela seguiu direto para o elevador, sem hesitar. Lá dentro, o espelho a refletia, mostrando a mulher que, por fora, parecia intocável - mas por dentro, algo estava em chamas, algo que ela tentava apagar, mas que a consumia aos poucos. Talvez fosse o peso das escolhas, dos segredos que insistiam em voltar à tona, ou a iminente chegada de Lucian, que mudaria tudo. Quando as portas do elevador se fecharam, Selene soltou um leve suspiro, permitindo-se, por um breve instante, lembrar-se daquele olhar. O olhar de Lucian Thorn. E ali, entre o décimo e o vigésimo andar, ela soube que, apesar de sua vida parecer estar no controle, havia uma força muito maior que estava prestes a puxar o tapete sob seus pés.
O elevador parou. As portas se abriram lentamente, revelando o corredor que a aguardava. Ela retirou os óculos calmamente, mordendo o lábio com uma precisão cuidadosa, evitando borrar o batom vermelho. Sem hesitar, virou-se em direção à porta. O nome "Presidente" estava gravado em letras douradas, reluzindo contra a madeira envernizada. Com um movimento firme, sua mão direita fechou-se em punho e bateu três vezes, como sempre fazia. O som reverberou levemente pelo corredor, até que a voz grave e rouca ecoou por trás da porta, fazendo seus nervos se acenderem.
- Entre!
Selene Holloway respirou fundo, tentando controlar a inquietação que crescia em seu peito. Sua mão pousou suavemente sobre a maçaneta e, com um breve movimento, abriu a porta por completo. Quando seus olhos finalmente recaíram sobre ele, a tensão no ar parecia quase palpável.
Lucian Thorn, o homem que a esperava do outro lado, era mais que apenas a sombra de um irmão mais velho. Ele exalava poder. O tipo de força silenciosa que dominava o ambiente sem esforço algum. Sentado em sua poltrona de couro, a luz suave da sala destacava os ângulos marcantes de seu rosto - a mandíbula forte, os lábios finamente esculpidos, sempre prontos a exibir um sorriso de desdém ou uma palavra cortante. Os cabelos, lisos e perfeitamente penteados para trás, refletiam o brilho do ambiente, realçando a cor escura que contrastava com seus olhos de um azul profundo e enigmático. O olhar dele, intenso, parecia fitar Selene com a precisão de quem via mais do que a superfície, como se pudesse decifrar seus pensamentos mais secretos. A tatuagem que escapava do colarinho aberto de sua camisa preta dava uma pista do perigo e da história que Lucian carregava consigo. Vestido impecavelmente em um terno escuro que abraçava cada músculo definido de seu corpo, Lucian era a personificação de controle - um homem de poucas palavras, mas de ações devastadoras. Havia nele uma aura de mistério, como se algo sempre estivesse por acontecer. Não importava quantos segredos ele escondia, o magnetismo entre eles, mesmo naquela sala fechada, parecia inescapável.
Selene sabia que, assim que seus olhares se cruzaram, não havia mais retorno. Lucian Thorn, com seu charme letal e uma perigosa segurança de si, era a razão pela qual seu mundo cuidadosamente construído começava a ruir.
- Sente, por favor! - Lucian indicou a poltrona à sua frente, com um gesto casual, mas firme.
Selene, sem hesitar, tirou o cardigan, pousando-o sobre a mesa de vidro antes de se sentar e cruzar as pernas com elegância. Os olhos de Lucian caíram sobre ela, demorando-se no rosto antes de descerem lentamente pelo decote. Ele alisou o bigode discretamente, fechando os olhos por um instante, como se precisasse reorganizar seus pensamentos. Uniu as mãos, apoiando os cotovelos na mesa e o rosto nas pontas dos dedos por um breve momento de reflexão.
- Aceita um vinho? - ofereceu com a mesma voz rouca e penetrante.
- Está frio demais para apreciar um vinho, Lucian Thorn, - ela retrucou, a voz um tanto firme. - Mas aceito um uísque, se tiver.
Lucian levantou-se sem demora, seus movimentos precisos, quase predatórios. Foi até a pequena mesa ao fundo da sala, onde uma garrafa de uísque repousava à espera, como um ritual que ele já havia feito muitas vezes antes. Serviu dois copos generosos e entregou um a Selene, enquanto segurava o outro para si. Voltou a sentar-se, seu olhar nunca deixando o dela.
- Três vezes em uma única semana, - Lucian comentou, os olhos azuis brilhando com malícia. - E meu irmão nem desconfia.
- Sou uma mulher cautelosa, - Selene começou, mas sua voz fraquejou. - Eu amo o Cassian, sou feliz ao lado dele, apesar dos problemas, mas...
- Mas é a mim que procura quando foge da sua rotina enfadonha, - ele interrompeu com um sorriso que provocava e ao mesmo tempo intimidava. Tomou um gole do uísque, pousou o copo ao lado e passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os com a confiança de quem sabe exatamente onde pisa. - Nove anos com a mesma pessoa deve ser... entediante. A mesma monotonia. As mesmas coisas, os mesmos desejos, as mesmas posições. Nada muda. Petrificado no tempo. Eu também amo meu irmão, mas... vamos lá, ele é cego.
- O que fazemos é imperdoável, - Selene insistiu, tentando manter a compostura.
Lucian apenas riu, um som baixo e carregado de desdém.
- Ele é um tolo, - sua voz saiu ainda mais cortante. - Eu poderia transar com você na cama dele, ao lado dele, e ele nem perceberia.
O suspiro que escapou dos lábios de Selene denunciava o quanto aquela ideia a perturbava, e, ao mesmo tempo, a atraía.
- Por isso, - ela respirou fundo, forçando-se a recobrar a sanidade, - não devemos mais continuar. Eu amo Cassian. Estamos noivos, felizes, e vamos nos casar. Quero construir minha família. Foi um erro eu ter vacilado... ter traído.
Lucian ergueu uma sobrancelha, intrigado.
- Você é minha, Selene. Está presa a mim. Não há como fugir.
- Claro que há, Lucian, - ela replicou, embora sua voz não estivesse tão firme quanto desejava. - Isso foi um erro. Já disse.
- Seus olhos, seu corpo, sua voz me pedindo mais... Não parecem pensar assim, - ele provocou, aproximando-se ligeiramente. - Você vem até mim porque sabe que aqui você vive. Cassian? Ele é um garoto que nunca aprendeu nada.
- Não fale assim dele, - ela tentou interrompê-lo, mas ele apenas sorriu de lado, um sorriso que parecia saber mais do que deveria.
- Falo, sim, - ele insistiu. - Você acha mesmo que ele vai te perdoar quando descobrir que você me quis tanto quanto eu te quis? Que você traiu ele... comigo?
Selene engoliu em seco. A verdade nua e crua estava ali, em cada palavra pronunciada por Lucian, esmagando suas tentativas de negar o inegável.
- Você não ousaria, - ela murmurou, temerosa.
- Ousadia mantém homens como eu no controle, - ele afirmou com convicção. - Cassian precisa de mim. Apesar de tudo, eu o amo. Ele é meu irmão.
- Por ele ser seu irmão, e meu noivo, é que devemos parar agora, - Selene repetiu, tentando reafirmar a sua vontade.
Lucian coçou a nuca, parecendo ponderar por um instante, mas a malícia nos olhos não diminuía.
- Mesmo que eu concorde em parar... - ele começou a caminhar lentamente ao redor dela, como um predador. - Sempre haverá uma brecha. Você voltará, Selene. Sabe disso. Virar para mim como uma mendiga à procura de um pedaço de vida, implorando por algo mais. Não estou certo?
- Não, você está errado, Lucian, - ela tentou reafirmar, mas sua voz estava longe de transmitir confiança.
Ele se aproximou, suas mãos pousando nos ombros dela com uma pressão suave, mas firme. Seus dedos deslizaram levemente pelo corpo dela, e Selene sentiu o corpo aquecer, traída por sensações que não conseguia controlar.
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