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PROLOGO
«Não me encha o saco, temos um acordo, o das casas. E espero que o cumpra.»
Elisandro afastou o telefone da orelha e se sacudiu nervoso; a voz do outro lado eletrificava todos os seus sentidos.
«Claro que não, temos um trato, meu senhor. No laboratório já me confirmaram que a fecundação foi um sucesso; minha esposa terá um filho saudável para o senhor e sua esposa, como sempre quis.»
Uma gargalhada cheia de sarcasmo retumbou do outro lado do telefone, e aquela respiração pesada que causava terror só de senti-la se fez presente.
«E já pensou como vai fazer para tirar a criatura da mãe dela?» o homem bufou «Quero ter certeza do que você vai fazer.»
«Bom, é simples, simplesmente direi à minha esposa que ela perdeu o bebê no parto, esses são os mínimos detalhes, senhor. Agora, minha pergunta é: com isso a dívida que temos estará quitada?»
Elisandro arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para o banheiro. Não queria que sua mulher o visse falando ao telefone.
«Dívida? Hum, você é tão miserável e descarado, Elisandro. Não é uma dívida o que temos pendente, você manchou a honra da minha família, a pobre Esmeralda não devia ter saído do país. Agradeça que eu não te esfolo, Elisandro.»
Elisandro empalideceu diante das palavras daquele homem. Sabia do que ele era capaz, e embora estivesse disposto a fazer o que fosse para pagar aquela dívida de honra, o Sr. Máfia não era seu único inimigo.
«Senhor, minha esposa vem vindo; tenho que desligar.»
Elisandro viu como Victoria apareceu pelo corredor, cruzando o umbral da porta do banheiro. Desligou a chamada e guardou o telefone, estendeu a mão para a esposa e foi se preparando para a surpresa. Devia fingir que não sabia de nada, embora ele fosse o criador de tudo.
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VICTORIA VENTURA
«Senhora, saia já, preciso do banheiro, por favor.»
«Vou levar o tempo que precisar» rodei os olhos diante do espelho enquanto retocava meu batom. A noite apenas começava, e a meu amado Elisandro de las Casas fascinava ter sua mulher radiante.
Mas, aquela noite, meu interesse não era mostrar-lhe minha beleza. Guardei meu batom com pressa na bolsa e tirei a pequena caixinha. Apertei-a contra meu peito, suspirando como nunca havia feito. O sonho de uma família feliz e completa estava se tornando realidade.
Pela manhã, o médico me confirmou a gravidez. Oito semanas meu ventre estava fecundado. Um verdadeiro milagre! Foram anos de espera, de angústia e desesperança que, por fim, haviam se encerrado com esta maravilhosa notícia.
«Senhora, acaso desmaiou? Saia, maldita seja, vou urinar aqui fora» - de novo a mulher e sua voz estridente, mas nada nem ninguém danificariam meu sagrado momento. Apliquei perfume envolvida em náuseas e abri a porta. Olhei-a de cima a baixo, e ela fez o mesmo comigo.
Mas, a dizer a verdade, nem me causou incômodo.
«Sinto muito, querida. Com licença.»
A mulher me empurrou quase me atropelando, e neguei com a cabeça. Essa gente não tem paciência. Girei meu olhar para a mesa onde ele estava. Seu porte viril e elegante, seu olhar cativante, sua pele morena e seu cabelo arrumado me arrepiavam. Meu esposo era maldita e sexy.
Ele me sorriu e estendeu a mão me cumprimentando. Eu lhe correspondi com um sorriso. Apesar de estarmos casados há seis anos, nossa magia seguia latente. Eu morro por ele e ele morre por mim.
Meus pés estavam pesados e as mãos me suavam. Abaixei a cabeça e apertei os olhos; é que a notícia que eu ia dar alegraria nossas vidas.
Caminhei mais e mais perto, e embora o caminho se fizesse eterno, sentei-me à frente dele.
«Elisandro.»
«Victoria , amada minha, por que demoraste tanto no banheiro? Estava me preocupando» sua voz suave e harmoniosa me derretia, e eu apenas encolhi os ombros.
«Amado, é que tenho uma notícia para você, uma que sei que vai te fascinar.»
Elisandro se aproximou de mim, passando por cima da mesa, e me tomou pelo queixo. Acariciou com os dedos minha pele, e me estremeci com seu contato.
«Diga-me, amada, o que é isso que tens para me dizer?»
Tirei a prova da minha bolsa e a entreguei a ele. Estava nervosa, juro que estava. Ele franziu a testa e se ajeitou na cadeira. Seus olhos ficaram fixos na prova, como se desconhecesse do que se tratava, e em seguida quis desfalecer. Que maldito mistério.
«É... é o que estou imaginando?»
«Sim, Elisandro, depois de tantos tratamentos, por fim conseguimos a fertilização. Tenho oito semanas de gravidez, meu amor.»
Elisandro saltou da mesa, tão feliz com a notícia, e foi direto para mim, dando gritos de alegria.
«Você é linda! Maravilhosa! Eu te amo, Victoria , eu te amo mais do que tudo no mundo!»
Ele se ajoelhou diante de todos os presentes, e suas lágrimas brotaram dos olhos, fruto da emoção.
«Meu amor, por favor, o que está fazendo?»
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