A Imperatriz que Sepulta Seu Passado

A Imperatriz que Sepulta Seu Passado

Xiang Si

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Capítulo

Sacrifiquei meu ventre e minha juventude para construir o império arquitetônico de Alexandre nas sombras. Ele me retribuiu trazendo sua amante, Bia, para me incriminar por plágio e destruir minha reputação. Quando meu pai sofreu um infarto fulminante, Bia usou sua influência para bloquear a cirurgia que salvaria sua vida. Alexandre manteve a vida do meu pai moribundo como refém, forçando-me a ficar de joelhos diante da mulher que me arruinou. - Peça desculpas a ela, Cíntia - ele ordenou. - Ou eu mando desligar os aparelhos. Eu implorei. Raspei o que restava da minha dignidade do chão. Mas eles deixaram meu pai morrer de qualquer maneira. Descartada e humilhada, desapareci em um acidente de avião, deixando apenas uma aliança de casamento em um aterro sanitário. Anos depois, em uma cúpula global, Alexandre assistiu sua empresa desmoronar sob os ataques de um novo e implacável rival. Ele agarrou a mulher no vestido esmeralda, as mãos trêmulas ao reconhecer os olhos que pensava terem desaparecido para sempre. - Cíntia? Você está viva? Sorri, fria como o gelo. - A Sra. Ferraz morreu, Alexandre. Eu sou aquela que vai te enterrar.

Capítulo 1

Sacrifiquei meu ventre e minha juventude para construir o império arquitetônico de Alexandre nas sombras.

Ele me retribuiu trazendo sua amante, Bia, para me incriminar por plágio e destruir minha reputação.

Quando meu pai sofreu um infarto fulminante, Bia usou sua influência para bloquear a cirurgia que salvaria sua vida.

Alexandre manteve a vida do meu pai moribundo como refém, forçando-me a ficar de joelhos diante da mulher que me arruinou.

- Peça desculpas a ela, Cíntia - ele ordenou. - Ou eu mando desligar os aparelhos.

Eu implorei. Raspei o que restava da minha dignidade do chão. Mas eles deixaram meu pai morrer de qualquer maneira.

Descartada e humilhada, desapareci em um acidente de avião, deixando apenas uma aliança de casamento em um aterro sanitário.

Anos depois, em uma cúpula global, Alexandre assistiu sua empresa desmoronar sob os ataques de um novo e implacável rival.

Ele agarrou a mulher no vestido esmeralda, as mãos trêmulas ao reconhecer os olhos que pensava terem desaparecido para sempre.

- Cíntia? Você está viva?

Sorri, fria como o gelo.

- A Sra. Ferraz morreu, Alexandre. Eu sou aquela que vai te enterrar.

Capítulo 1

Meu mundo rachou ao meio no momento em que Bia Torres entrou no meu recém-inaugurado estúdio de design, com os olhos arregalados e transbordando de lágrimas fabricadas. Eu tinha acabado de lançar a "Ferraz Arquitetura", um pequeno escritório de arquitetura sob medida no qual despejei minha alma nos últimos seis meses. Era um salto de fé, um passo em direção a um futuro que eu havia deixado em espera por muito tempo, pouco antes de me comprometer com um mestrado adiado no exterior.

- Cíntia - ela choramingou, a voz mal passando de um sussurro, mas alta o suficiente para ecoar no espaço silencioso.

Ela parecia um gatinho abandonado na chuva, pura vulnerabilidade e desespero. Seu vestido caro estava amassado, o cabelo geralmente perfeito, desgrenhado. Era uma performance que eu reconhecia, uma na qual Alexandre sempre caía.

- Bia - respondi, minha voz plana, não traindo nada do turbilhão que se agitava dentro de mim. - A que devo esta... visita inesperada?

Ela desabou no sofá de veludo macio, enterrando o rosto nas mãos. Seus soluços preencheram a sala, teatrais e ensaiados. Eu a observava, minha fachada profissional firmemente no lugar. Eu era arquiteta, sim, mas também tinha treinamento em psicologia, uma habilidade que cultivei para lidar com a família volátil de Alexandre, nunca imaginando que a usaria em sua amante.

- Eu não consigo... não consigo mais fazer isso - ela engasgou entre suspiros. - A pressão. As expectativas. É demais.

Ela levantou a cabeça, os olhos borrados de rímel encontrando os meus.

- Você não entenderia, Cíntia. Você sempre teve tudo. Uma família amorosa, uma mente brilhante. Você nunca teve que rastejar do nada para chegar ao topo.

Suas palavras eram uma alfinetada sutil, um lembrete do abismo percebido entre nós. Ela estava certa sobre uma coisa; eu não tinha rastejado. Eu tinha construído. Mas minhas fundações estavam desmoronando rápido.

- Com o que exatamente você está lutando, Bia? - perguntei, minha voz calma, quase distante. Meu coração, no entanto, era um tambor frenético contra minhas costelas.

Ela fungou, puxando um lenço de seda da bolsa.

- O mundo é tão cruel, Cíntia. Você tem que sacrificar tanto apenas para sobreviver, para sentir o gosto da vida que merece. Coisas... coisas que você nunca pensou que faria.

Um calafrio percorreu minha espinha. O jeito que ela disse "sacrificar", a implicação velada de acordos ilícitos, era tudo muito claro. Ela estava confessando, à sua maneira distorcida, que estava se vendendo.

Antes que eu pudesse formular uma resposta, o som abafado de passos no corredor lá fora ficou mais alto. Minha respiração parou. Eu conhecia aquele passo confiante e decidido.

Os olhos de Bia piscaram para a porta, um brilho astuto e conhecedor substituindo momentaneamente sua angústia. Um fantasma de sorriso tocou seus lábios.

- Ele está aqui - ela anunciou, a voz subitamente mais forte, carregada de um triunfo perturbador. - Seu marido. Meu... benfeitor.

Meu olhar disparou para o vidro fosco da porta. Uma silhueta alta, inconfundivelmente a de Alexandre, apareceu. Ele segurava um buquê ridiculamente grande de rosas vermelhas vibrantes, suas pétalas um toque de cor berrante contra a elegância neutra do meu estúdio.

Minha garganta apertou. Alexandre. Aqui. Com ela. A cena era uma paródia grotesca de cada gesto romântico que ele já havia feito para mim. Mas desta vez, as rosas não eram para mim.

Seus olhos, geralmente tão afiados e dominadores, arregalaram-se momentaneamente em choque quando encontraram os meus através do vidro. Ele não esperava me encontrar aqui. Ou talvez, não esperasse encontrar Bia comigo. A surpresa rapidamente se transformou em uma máscara de preocupação educada, mas vi o lampejo de pânico, a breve rachadura em sua fachada polida.

Fechei os olhos por uma fração de segundo, desejando poder voltar no tempo. Lembrei-me dos primeiros dias, quando Alexandre me cortejava com uma seriedade tímida, uma única margarida colhida na beira da estrada, o rosto corado de afeto genuíno. Ele me prometeu o mundo então, não com rosas compradas em uma floricultura chique, mas com a ambição crua em seus olhos e as mãos calejadas que construíram nossos primeiros sonhos compartilhados.

Começamos com nada, um apartamento minúsculo, macarrão instantâneo tarde da noite e sonhos compartilhados desenhados em guardanapos. Ele era o visionário, eu era a estrategista silenciosa, a arquiteta de seu império nos bastidores. Trabalhamos incansavelmente, alimentados pelo otimismo juvenil e pela crença feroz um no outro. Ele jurou que tornaria nossas vidas lindas, que eu nunca teria que desejar nada novamente. Eu acreditei nele. Despejei meu talento, meu tempo, minha vida no Grupo Junqueira, sacrificando minhas próprias aspirações para que as dele pudessem voar.

Agora, seu império estava alto, reluzente, e eu fui deixada do lado de fora, um fantasma nos corredores brilhantes que ajudei a projetar. A riqueza veio, mas o amor, a intimidade, o futuro compartilhado, murcharam. Meu coração doía com uma pulsação familiar e surda. Respirei fundo, recusando-me a deixar a mágoa transparecer. Eu não daria a eles essa satisfação.

A porta se abriu e Alexandre entrou, o cheiro das rosas colidindo duramente com o leve aroma de tinta fresca e novos começos no meu estúdio. Ele sorriu, uma curva praticada e encantadora de lábios que não alcançava seus olhos.

- Cíntia, querida - disse ele, a voz suave, tentando preencher o silêncio constrangedor. Ele estendeu as rosas para mim, um gesto absurdo de normalidade fingida. - Vim buscar a Bia. E parabéns pelo estúdio. Soube dele pela... bem, pela Bia.

Não peguei o buquê. Minhas mãos permaneceram frouxamente entrelaçadas na minha frente, firmes como pedra.

- Você soube pela Bia? - perguntei, a voz calma, mas com uma ponta que esperava que ele não perdesse. - Que interessante. Minha inauguração não foi exatamente divulgada.

Bia, ainda no sofá, mas agora composta, ofereceu um sorriso doce e inocente.

- Ah, Cíntia, eu contei ao Alexandre. Vi sua postagem naquela rede social profissional e tive que dizer a ele o quanto estava orgulhosa de você começar seu próprio empreendimento.

Ela olhou para Alexandre, uma troca silenciosa passando entre eles, uma linguagem secreta compartilhada que me excluía.

Aquele sorriso, aquele olhar compartilhado, era como sal em uma ferida aberta. Olhei para a foto emoldurada na minha mesa - uma imagem desbotada de Alexandre e eu no dia do nosso casamento, jovens, esperançosos, ingênuos. Senti uma vontade súbita e visceral de quebrá-la, de estilhaçar a ilusão de um amor que já estava morto há muito tempo. Mas não o fiz. Eu não era mais aquela garota impulsiva. Eu tinha responsabilidades, um negócio incipiente, um nome a recuperar. Minha raiva fervilhava, um fogo frio no meu estômago.

- Entendo - disse finalmente, a palavra pesada com significado não dito. - Bem, obrigada pelo elogio.

Alexandre pareceu aliviado com minha resposta controlada. Ele largou as rosas em uma mesa próxima, seus caules espinhosos arranhando a madeira polida.

- Você está pronta, Bia? - perguntou ele, sua atenção já voltando para ela.

- Sim, Alexandre - respondeu ela, levantando-se com uma nova leveza em seus passos. Ela me deu outro sorriso meloso, os olhos brilhando com uma alegria maliciosa. - Foi... esclarecedor, Cíntia. Se cuida.

Eles se viraram para sair, mas antes que chegassem à porta, os primeiros gritos começaram. Uma cacofonia de vozes explodiu do lado de fora, ficando mais alta, mais agressiva.

- Cíntia Ferraz, é você?

- A plagiadora! A fraude!

- Como você ousa abrir um negócio depois de roubar o trabalho de outra pessoa?

Meu sangue gelou. Ouvi o clique frenético das câmeras, os flashes cegantes iluminando o espaço antes sereno. Bia não tinha apenas "contado ao Alexandre". Ela havia orquestrado isso.

Alexandre, momentaneamente atordoado, instintivamente me puxou para trás dele enquanto a multidão avançava contra a porta de vidro. Seus rostos, contorcidos com indignação fabricada, pressionavam contra os painéis.

- O que é isso, Cíntia? - Alexandre exigiu, a voz baixa e furiosa. - O que você fez?

- Eu não fiz nada - retruquei, minha voz tremendo apesar dos meus esforços. - Isso é obra da Bia. Ela armou para mim.

Bia, enquanto isso, havia se pressionado contra as costas de Alexandre, fingindo terror.

- Ah, Alexandre, eles estão tão bravos! E se nos machucarem?

De repente, um objeto pesado - um tomate podre, pelo cheiro - espatifou-se contra a porta, espalhando polpa vermelha no terno caro de Alexandre. Outro seguiu, atingindo o braço de Bia. Ela gritou, agarrando o cotovelo dramaticamente.

A postura protetora de Alexandre em relação a mim evaporou. Ele se virou, sua atenção voltada apenas para Bia.

- Você está bem, querida? Deixe-me ver.

Ele ignorou completamente a barragem de insultos e sujeira, os gritos de "plagiadora" e "destruidora de lares" que agora eram explicitamente dirigidos a mim. Ele havia me acusado de ser uma destruidora de lares em um sussurro, mas a multidão agora gritava isso, e meu nome estava atrelado a isso.

Ele guiou Bia para fora do estúdio, através de uma porta lateral que ela parecia saber que existia, deixando-me sozinha, desprotegida, enfrentando a multidão enfurecida. A última coisa que vi antes da porta bater foi a mão de Alexandre apoiando gentilmente as costas ilesas de Bia, o rosto marcado pela preocupação com ela.

Meu corpo parecia feito de gelo. Eu estava sozinha. Totalmente, completamente sozinha. Outro projétil, um saco do que cheirava a lixo em decomposição, atingiu meu ombro, derramando seu conteúdo no meu casaco branco imaculado. O fedor era avassalador. Tropecei para trás, minha visão embaçando.

Minha assistente, uma jovem chamada Sara que eu tinha contratado no mês passado, entrou correndo, o rosto pálido.

- Sra. Ferraz! Você está bem? Para onde vamos?

Não respondi. Apenas passei por ela, minhas pernas se movendo no piloto automático, desesperada para escapar da humilhação sufocante. Mal registrei os murmúrios preocupados da equipe restante. Eu só precisava sair dali.

Enquanto lutava para entrar no banco de trás de um carro que esperava, meu telefone tocou. Era o hospital. Meu pai.

- Sra. Ferraz - disse a voz do outro lado, urgente e grave. - Seu pai... ele sofreu um infarto fulminante. Precisamos realizar uma cirurgia de emergência, mas os fundos ainda não foram autorizados.

Minha respiração falhou.

- O quê? Isso é impossível. Alexandre cuida de todas as despesas médicas dele. Ele deveria ter autorizado imediatamente. - Minha voz era um sussurro desesperado. Apertei o telefone, os nós dos dedos brancos. - Leve-me para o hospital, Sara. Agora!

Enquanto Sara acelerava pelas ruas caóticas da cidade, eu os vi. Alexandre e Bia. O carro deles estava parado em um sinal vermelho, apenas algumas faixas adiante. Ele estava enxugando ternamente o braço de Bia com um lenço, acariciando seu cabelo, os olhos cheios de uma preocupação que eu não via dirigida a mim há anos. Por um arranhão no cotovelo. Enquanto meu pai estava morrendo.

No hospital, o cheiro estéril de antisséptico arranhou minha garganta. Corri, meus sapatos escorregando no chão polido, minhas roupas sujas um contraste gritante com a dignidade silenciosa da sala de espera. Quando cheguei ao quarto dele, ele já estava conectado a um emaranhado de máquinas, o rosto cinzento. Caí de joelhos ao lado da cama, a força drenando do meu corpo.

- Cíntia? - A voz dele era fraca, quase inaudível. - Por que... por que o Alexandre não está aqui com você?

Meu peito apertou. Eu não podia contar a ele. Não agora. Não quando ele estava tão frágil.

- Ele... ele teve uma emergência no trabalho, pai - menti, as palavras com gosto de cinzas. - Mas mandou lembranças. Ele está preocupado com o senhor.

Ele sorriu fracamente, um lampejo de seu antigo eu.

- Bom. Ele é um bom homem, Cíntia, sempre tão ocupado. Você parece cansada, minha menina. Você... você chegou a ir para aquele mestrado no exterior?

A pergunta me pegou desprevenida.

- Ainda não, pai. Comecei meu próprio escritório.

- Isso é maravilhoso - sussurrou ele, um brilho de orgulho nos olhos. - Mas não adie seus sonhos por muito tempo. Não se preocupe comigo. Vivi uma vida plena. - Ele fez uma pausa, o olhar distante. - Diga ao Alexandre... diga a ele que sinto muito por tentar impedir seu casamento, todos aqueles anos atrás. Eu pensei... pensei que ele não era bom o suficiente para você. Mas você o amava. E isso era tudo o que importava no final.

Uma enfermeira tocou gentilmente meu ombro.

- O horário de visita acabou, Sra. Ferraz. Precisamos prepará-lo para o procedimento.

Enquanto eu saía, meu telefone vibrou. Era uma mensagem do meu antigo professor, aquele que me incentivou a continuar os estudos. "Cíntia, o prazo de inscrição para a bolsa de pesquisa global é amanhã. É sua última chance. Pense nisso."

Minha mente girava. Todos esses anos, coloquei Alexandre em primeiro lugar. A carreira dele, os sonhos dele, o ego frágil dele. Sacrifiquei os meus. Meu pai, meu campeão inabalável, estava desaparecendo, e Alexandre estava cuidando do joelho ralado de Bia. Eu estava sendo publicamente humilhada, minha reputação destruída. Meu casamento era uma casca vazia. As palavras do meu pai ecoavam em meus ouvidos: *Não adie seus sonhos por muito tempo.*

Uma resolução feroz e desesperada endureceu em meu coração. Era isso. Essa era minha fuga. Minha tábua de salvação. Minha chance de finalmente escolher a mim mesma. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava uma resposta para meu professor. "Estou dentro. Estarei lá."

A resposta dela foi imediata: "Excelente! O próximo voo para Londres parte em três dias. Vejo você lá, Cíntia."

Três dias. Três dias para desaparecer. Para morrer. Para renascer. O pensamento enviou um arrepio eletrizante através de mim. Meu casamento de treze anos, minha velha vida, minha própria identidade como "Sra. Alexandre Junqueira", parecia uma âncora pesada. Eu sabia o que tinha que fazer. Eu garantiria que essa âncora afundasse no fundo do oceano mais profundo.

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