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Existem provérbios que carregam verdades universais, mas em certos momentos de nossa vida, escolhemos ignorá-los, como se pudéssemos dobrar a realidade a nosso favor. Foi assim comigo, sob a influência do deslumbramento. Ele não apenas brilhou; ele cintilou com a intensidade de um farol cortando a escuridão, desafiando a velha sabedoria de que ‘nem tudo que reluz é ouro’. De maneira sedutora, ele desmontou minhas defesas, me fazendo desacreditar da existência daquela cautela ancestral, e me induziu a mergulhar de cabeça em um mundo onde a dúvida e a desconfiança não tinham espaço.
Mas como um espelho que se estilhaça sob a pressão de uma verdade incontestável, a realidade se impôs. Foi um despertar abrupto, como se estivesse emergindo de um sonho profundo para encontrar um cenário desolado. A dor dessa revelação era tangível, um fardo que se aninhava no meu peito, transformando cada palavra doce e cada promessa sussurrada em fragmentos de uma ilusão agora dolorosamente clara.
Não demorou muito para que a verdade inerente ao provérbio se revelasse em minha própria vida, desdobrando-se como uma cortina que se abre para mostrar uma cena indesejada. O homem que eu idolatrava, que colocava em um pedestal como meu príncipe encantado, desmoronou dessa altura, revelando sua verdadeira forma de um sapo repugnante. Essa transformação não foi gradual; foi uma mudança repentina que me deixou atordoada, desequilibrada, lutando para entender como o “felizes para sempre” que eu tanto desejava, sonhava e planejava não se concretizaria ao lado dele. Era um golpe devastador, que sacudia as fundações do meu coração e abalava as estruturas das minhas crenças mais profundas e românticas. Perdida em um mar de incertezas, cada passo que eu dava parecia levar-me a um abismo de desilusão, onde o chão sob meus pés se desfazia em areia movediça.
Na minha juventude, eu entreguei meu coração e a minha alma a um ideal de amor, como uma tola apaixonada que se agarra a palavras doces, mesmo quando elas não passam de ecos vazios. Fechei os olhos para a realidade, que estava tão claramente delineada diante de mim, cegada por um amor que me consumia. Esse amor, que eu acreditava ser inabalável, era na verdade uma tapeçaria complexa de emoções, que ele, com sua habilidade e charme, manipulava sem escrúpulos. Meu coração, que uma vez pulsava com a promessa de esperança e alegria, agora se debatia entre a desilusão e o medo paralisante de ter sido apenas uma peça em seu cru&l jogo de sedução.
A história de nós dois começou em um cenário provável: uma festa na casa de Cristine, minha melhor amiga desde a infância. Era uma daquelas noites vibrantes, repletas de música, risadas e conversas efervescentes. As luzes coloridas, penduradas com esmero por Cristine, dançavam pelas paredes e pelo teto, projetando sombras que se moviam ao ritmo da música, criando um clima de encantamento, reminiscente das cenas de amor e magia dos romances que eu adorava. Foi nesse cenário de conto de fadas moderno que vi Túlio pela primeira vez. Ele não era apenas mais um convidado; ele era o centro das atenções, iluminado por um holofote de carisma e simpatia, seu sorriso era um ímã que atraía todos ao seu redor, inclusive eu. Naquela noite, minha vida tomou um rumo inesperado, pois me apaixonei perdidamente, uma paixão fulminante que consumiu meu ser com a intensidade de um incêndio.
Sempre me considerei uma romântica incurável, alguém que alimentava o sonho de encontrar o amor verdadeiro, como nos contos de fadas. Túlio se encaixava perfeitamente nesse ideal. Foi um amor à primeira vista, uma tempestade de sentimentos que me arrebatou sem aviso. Nessa vulnerabilidade, nesse desejo de viver o amor dos livros, me vi completamente capturada por ele. Desde o nosso primeiro toque, que enviou ondas de arrepios através da minha pele, até os batimentos acelerados do meu coração e a secura da minha boca, tudo sinalizava que eu havia caído de amores. Eu sonhava com um futuro juntos, imaginando um casamento, filhos e uma vida repleta de amor e cumplicidade. Aos vinte e três anos, eu estava pronta, ou assim pensava, para mergulhar de cabeça nesse sentimento, vivendo todos os momentos que havia idealizado durante minha adolescência. Naquele instante, sob as estrelas daquela noite mágica, eu me sentia a mulher mais afortunada do mundo, sem imaginar que o conto de fadas que eu tanto desejava estava prestes a se desfazer diante dos meus olhos.
(...)
A conversa entre nós fluía naturalmente, apesar do meu costumeiro silêncio. Túlio, virando-se em seu assento com uma graça despretensiosa, encarava-me com olhos penetrantes, como se tentasse desvendar cada um dos meus pensamentos. Ele segurava sua bebida, uma mistura colorida que refletia os tons vibrantes da festa, e dava pequenos goles, seu olhar nunca desviando do meu.
— Você é sempre assim tão calada? — Sua voz era suave, porém carregada de uma curiosidade genuína, enquanto se inclinava ligeiramente em minha direção, diminuindo a distância entre nós.
Respondi com um sorriso tímido, que ma'l esboçava os meus lábios, em um contraste gritante com sua expressão aberta e confiante.
— Prefiro ouvir e observar a falar — minha resposta saiu quase como um sussurro, mas suficientemente alta para ser ouvida sobre o burburinho da festa.
— Deveria falar mais, sua voz é encantadora. Posso ouvi-la por horas — ele replicou, mantendo um olhar intenso que parecia me hipnotizar. Senti o calor subir às minhas bochechas, uma resposta involuntária às suas palavras lisonjeiras. — Além de linda, é tímida. Assim, fica fácil me apaixonar — sua brincadeira veio acompanhada de um sorriso contagiante, enchendo o espaço entre nós de uma energia leve e divertida, enquanto ele voltava a bebericar seu drink, agora com um ar de cumplicidade.
— Obrigada, você é muito gentil — consegui responder, minha voz ainda tímida, mas um pouco mais firme.
— Sou sincero, acima de tudo — ele disse, sua expressão suavizando em uma sinceridade desarmante. Com um movimento elegante, estendeu a mão em minha direção. — Permita-me apresentar-me formalmente. Sou o Túlio. Sei que já sabe quem sou, mas... — ele sorriu, uma mistura de confiança e humildade, esperando que eu completasse o gesto.
— Prazer, Túlio, sou a July — disse, colocando minha mão na dele, sentindo um toque firme e acolhedor.
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