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A vida em Moscou era como um quebra-cabeça onde as peças nunca se encaixavam. Eu nasci e cresci aqui, mas, mesmo depois de tantos anos, ainda me sentia uma estranha, como se a cidade fosse uma força implacável, disposta a esmagar qualquer um que não se conformasse com suas regras. Moscou não perdoava. E, apesar de seu brilho e esplendor, seu coração era feito de aço e concreto, frio e cruel.
Trabalhava como garçonete em um restaurante na Tverskaya, uma das principais ruas da cidade, onde a riqueza e a miséria coexistiam lado a lado. Eu via todos os dias os homens de terno, as mulheres de casacos caros e perfumes intensos, passando por mim sem nem sequer um olhar. Eles riam, brindavam, faziam negócios e me ignoravam como se eu fosse invisível. Era uma rotina exaustiva, mas, de alguma forma, eu me agarrava à esperança de que algum dia conseguiria escapar dessa vida que parecia me prender como uma gaiola de ouro.
O inverno em Moscou era especialmente implacável. Às vezes, o frio parecia um lembrete cruel de que eu não pertencia àquela cidade. E, mesmo trabalhando dentro do restaurante aquecido, o vento congelante que entrava toda vez que a porta se abria parecia invadir cada célula do meu corpo, como se quisesse me alertar de que, aqui, eu sempre seria uma intrusa.
Minha jornada no restaurante começava cedo e terminava tarde. Cada cliente que eu atendia parecia levar consigo um pedaço da minha energia, e a cada sorriso que eu forçava, sentia como se estivesse me distanciando dos meus sonhos, do pouco que restava de quem eu queria ser. Observava as pessoas, cada uma com suas histórias, seus mistérios, e me perguntava o que as trazia até aqui, o que as mantinha tão atreladas àquele estilo de vida. Às vezes, achava que eles, assim como eu, estavam presos em suas próprias prisões invisíveis, apenas com correntes diferentes.
Naquela noite, depois de mais um turno exaustivo, decidi andar um pouco antes de voltar para casa. Moscou à noite era uma mistura de beleza e perigo, como uma armadilha traiçoeira pronta para capturar os desprevenidos. O brilho das luzes contrastava com as sombras, e cada esquina parecia esconder segredos sombrios, histórias que nunca seriam reveladas. Caminhei pelas ruas frias, deixando o vapor de minha respiração se misturar com o ar gelado. Eu sentia o silêncio daquela cidade que nunca dormia, e, de alguma forma, era reconfortante, como se o peso do dia finalmente estivesse se dissipando.
Passando por uma rua pouco movimentada, percebi uma movimentação estranha ao longe. Dois homens estavam encostados em um carro preto, em uma postura tensa. Eu sabia que Moscou tinha suas próprias regras, e havia lugares onde certas coisas simplesmente não deveriam ser questionadas. Mas havia algo nesses homens que me chamou a atenção. Pareciam estar esperando alguém, os rostos cobertos por gorros e cachecóis, os olhos sempre alertas. Eu estava a uma distância segura, mas senti um calafrio percorrer minha espinha.
Continuei andando, tentando parecer o mais indiferente possível, mas não consegui evitar olhar para trás mais uma vez. E foi aí que o vi.
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