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QUATRO ANOS ATRÁS
— Eu nunca fiz isso antes.
Estou tão nervosa que deixo as palavras escaparem. Guardo as mãos dentro dos bolsos da calça jeans e afundo o corpo no sofá conforme vejo o
homem alto, moreno e de olhos reluzentes se aproximar.
Não cheguei aqui por acaso. Houve um longo tempo entre a proposta indecente que ele me fez e o meu “sim”.
Pesei e julguei tudo o que estava envolvido e percebi que era a coisa certa a se fazer, minha família precisava do dinheiro.
Até pensei que ele havia se esquecido de nosso acordo, já que não me respondeu em nenhum momento do dia. E quando ligou, foi para perguntar onde eu estava e enviou um carro luxuoso que me trouxe da Zona Norte até esse condomínio cheio de mansões na Zona Sul de São Paulo.
Pelo caminho eu me distraí com a névoa que cobria desde a copa das árvores até os pequenos e escuros lagos que se projetavam no horizonte.
E agora, dentro de seu território, sentada em seu sofá e preparada para qualquer investida, evito encará-lo.
Não consigo.
Não sou de ficar envergonhada, mas agora sinto minha face toda queimar, ao vê-lo. E meu corpo parece que fica todo gelado quando nossos olhares se encontram.
Quando disse que era um professor da minha faculdade, pensei logo em um velho esquisito e aproveitador, mas nem de perto o senhor Lamarphe é assim. Ele deve ser 10 ou 15 anos mais velho do que eu, sim. Mas está
definitivamente longe da imagem que criei de um homem rico que ofereceria dinheiro pela minha virgindade.
— Nunca fez isso o quê? — O timbre forte da voz dele me faz tremer no lugar em que estou.
Sua voz é melodiosa e carrega um sotaque italiano que fica em minha mente, parece bem mais impactante agora do que quando falamos por telefone.
— Nunca fez sexo ou vendeu sua virgindade por cem mil reais?
O sorriso de retórica em seus lábios vermelhos faz as maçãs do meu rosto aquecerem ainda mais. Pelo visto ele é bem humorado e até agora está sendo gentil, o que me deixa menos tensa.
Ainda assim, é inevitável não ficar em estado de alerta com um homem de 1,90 diante de mim. Seus braços devem ser do tamanho das minhas coxas e seu olhar mostra o quanto ele é experiente e sabe lidar com toda essa situação.
— As duas coisas — balanço os ombros e o encaro.
O senhor Lamarphe dá um gole generoso no líquido cor de ouro envelhecido que traz em seu copo redondo e se senta numa poltrona diante de mim.
A sala da casa desse homem faz parecer que não existe privacidade: as
paredes laterais, tirando as estruturas, são inteiramente feitas de vidro e consigo ver pela noite escura e densa lá fora: três carros na garagem ao lado, uma piscina mais ao fundo e uma miríade de luzes fraquinhas no horizonte, deve ser da cidade. Mas o que me deixa realmente absorta é encarar uma árvore gigantesca no meio da sala, acho que foi a coisa mais curiosa que já vi em um cômodo.
— Viene[1] — ouço ele dizer e rapidamente me levanto.
No início fico em dúvida sobre o que isso significa, mas sua mão direita se move indicando que eu devo me aproximar e é exatamente o que faço.
Vejo-o desabotoar os três primeiros botões de sua camisa social preta, revelando o contorno musculoso de seu peitoral.
Assim que me aproximo, seu cheiro refrescante, como se eu estivesse perto do mar, rescinde contra meu rosto, e ele segura firme em minha mão. Depois, com um puxão rápido que não me deixa escapar, me coloca em seu colo, os joelhos pressionando o estofado da poltrona, meu coração desregulado e nossos rostos a poucos centímetros um do outro.
Meu coração que estava quase saindo pela boca, agora está preparado para fugir de vez.
Já tinha perdido o controle interno do meu corpo quando o vi, tudo em
mim parecia fora do lugar. E agora parece que ele quer causar a mesma sensação pela minha pele.
Fecho e aperto os olhos com força ao sentir suas duas mãos tocarem em minhas costas e descerem até minhas nádegas, contornando meu corpo e me abraçando com uma firmeza que faz com que cada parte de mim comece a aquecer, a ponto da combustão.
— Está com medo? — quando sussurra, me arrepia ainda mais.
Esse homem tem uma voz forte e potente, mas agora, ao pé do meu ouvido, me desmonta inteira.
Sinto seu nariz deslizar sutilmente pelo meu pescoço, me fazendo estremecer. E seu lábio inferior deixa um rastro molhado e irresistível que me faz soltar lentamente, quando menos percebo, estou com as mãos em seu ombro.
— Estou… com um pouco… — Ainda evito encará-lo, a feição dele me causa uma sensação estranha que ainda não tinha experimentado por toda a vida.
Sinto-me envergonhada ao encará-lo, mas não consigo resistir à tentação.
— Eu vou cuidar de você… — Seus dedos fortes acariciam meu rosto e afastam um fio de cabelo que estava solto.
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