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Cassie poderia avaliar e dar nota de 0 a 10 a todas as dores e traumas que já sentiu ao longo dos seus vinte anos. Ela era muito pequena quando perdeu a mãe, mas ainda lembra com clareza de sua expressão dolorida quando encontrou seu corpo deitado de forma serena sob a cama desfeita. Ela morreu enquanto dormia e o que a confortava era saber que pelo menos ela não sentiu dor, porém a dor que se instalou em seu coração com certeza foi mais que 10, diria 1000. Cassie nunca pôde se despedir.
Logo após isso, foi confirmado que ela não tinha nenhum parente vivo, nem mesmo uma tia, e ficou nos cuidados do juizado de menores até conseguir entrar em um orfanato, isso pode ser classificado como 08 de 10. Foi muito difícil ter que seguir em frente sabendo que agora estaria sozinha. Sua mãe não poderia mais enxugar as suas lágrimas e dizer que tudo ficaria bem. Ela sempre foi uma criança quieta e se tornou uma adulta estranha. Crescer e descobrir que a vida não era o conto de fadas na qual a garota encontra o príncipe encantado foi 07 de 10. Mas também teve a vez em que ela passou anos morando em um orfanato, vendo todas as outras crianças mais novas sendo adotadas e quando completou 18 anos, foi literalmente chutada daquele lugar sem ideia nenhuma do que faria daquele momento em diante, isso foi 10 de 10. O medo tomou conta dela e, por vários momentos, se convencia de que seria impossível refazer sua vida. Não foi. Aos 20 anos, trabalhando dia e noite para pagar a faculdade de medicina e morando em um cubículo de apartamento, teve seu coração partido mais uma vez ao descobrir que a pessoa que amava e confiava estava lhe traindo, essa dor foi 06 de 10. Cassie achou que seu mundo iria acabar, mas aí percebeu que de todas as dores que já sentiu, essa foi a mais insignificante. Ela juntou todos os pedacinhos de seu coração e os colou novamente, seguindo em frente.
Em todos esses anos, ela adquiriu um certo controle sobre sua vida, era como aquela velha frase: "você não pode escolher se vai se machucar, mas pode escolher quem vai te machucar", ela não tinha certeza se é bem essa a frase, mas tomou ela como um lema e em sua vida só entrava pessoas que sabia que não iriam lhe machucar ou que eu esperava que não fizesse isso. Era por esse motivo que ela não tinha amigos, ficava em casa todos sábado a noite assistindo algum filme e enchendo seu corpo de carboidratos com a seu gatinho de estimação, que era a única que sempre esteve ao seu lado. Cassie tinha quase certeza que seria aquela típica tia que assiste novela e possui três gatos em casa, mas nem irmãos tinha para ser a tia.
Apesar de ser completamente incomum e estranho para ela, ela estava em um sábado a noite em frente a um pub, tentando se convencer de que estar ali acompanhada de seu quase melhor amigo era melhor que ficar em casa sozinha. Ela sabia que era mentira, nem estava se divertindo no meio daquelas pessoas desconhecidas e completamente bêbadas.
— Acabei de lembrar que não dei comida para o Plutão — falou, tentando fingir decepção, se virando para Raf.
— O quê? — Raf se virou para ela com o cenho franzido. — O seu gato pode esperar algumas horas. Ele não vai morrer por isso.
— Eu não posso deixar o meu filho com fome. — Mordeu o lábio inferior, encolhendo os ombros. — Eu vou para casa rapidinho, dou comida a ele e volto, o que acha?
— Volta mesmo?
— Eu volto. — Ela cruzou os dedos atrás do corpo com um sorriso.
— Tudo bem, eu te espero aqui, então. Você tem 20 anos, Cassie, precisa se divertir e conhecer pessoas novas de vez em quando ou vai morrer sozinha.
O que ele disse é verdade e ela sabia que precisava viver o que o mundo tinha a oferecer, mas Cassie tinha medo de sair da bolha protetora na qual ela mesma criou. Não estava preparada para isso nem de longe.
Cassie concordou com a cabeça e andou em passos largos até a saída, respirando o ar fresco da noite ao finalmente sair daquele ambiente lotado e fechado.
Eram quase meia noite, nenhum táxi passaria ali aquela hora e o jeito era ir andando. Não era tão longe e a parte boa era que ela perderia alguns quilos e faria algum exercício.
Era início do outono, a noite estava fresca, não fria o suficiente para a fazer tremer, mas teve que colocar os braços envolta do corpo para impedir a passagem do vento.
Cassie praguejou mentalmente a escolha daquela saia e da bota de salto baixo que havia escolhido, seria péssimo caminhar assim, seus pés estariam moídos amanhã.
Um barulho em um terreno vazio ao lado fez seu corpo estremecer e parou imediatamente no lugar. Ela tinha certeza de que eram bandidos e que já poderia assinar seu atestado de óbito, porém nada aconteceu, nenhum grito como "passa o dinheiro e o celular!", nada. Era estranho e confortante ao mesmo tempo. Aquilo só servia para lhe deixar ainda mais curiosa com o que estava havendo.
Contrariando a voz em sua cabeça que lhe dizia para correr dali o mais rápido possível, ela foi em direção ao barulho se agachou ao lado de pneus e sofás velhos largados ali, rezando mentalmente para que ninguém a visse.
— Muitos morrerão essa noite se não deixarem os humanos em paz e irem embora! — Um homem com cabelos loiros brilhantes gritou, apontando uma espada reluzente ao outro a sua frente.
— Muitos dos seus morrerão, eu concordo — o homem de cabelos escuros gritou com um sorriso vitorioso. — Não iremos embora! Temos direitos tanto quanto vocês!
— Você sabe dos acordos, não pode quebrá-los — outro homem disse, ao lado do que empunhava a espada.
— Os acordos foram quebrados quando vocês mataram a Muriel!
— Ela corrompeu o Alistair e isso é motivo de morte!
— Chega! — Outro homem segurou o ombro do homem de cabelo escuro. — Viemos para lutar e vamos ganhar!
Foi então que uma verdadeira guerra começou. De uma hora para outra, um exército com 50 pessoas ou mais surgiu atrás do homem loiro vestido de branco e começou a atacar os homens de preto. Talvez fossem gangues rivais? Isso explicaria as roupas de cores padrão, mas não explicava o fato de estarem lutando com espadas e não com armas de fogo. Quem, em pleno século XXI, ainda usava espadas? Cassie poderia jurar que apenas colecionadores possuíam lâminas tão brilhantes e bem polidas como aquelas.
Talvez ela devesse ligar para a polícia e tentar evitar mortes. Do jeito que eles estavam, sairiam dali mortos ou presos, e como futura médica ela não poderia deixar que se matassem bem na sua frente. Ligar para a polícia era uma boa ideia.
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