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O Preço do Meu Sacrifício

O Preço do Meu Sacrifício

O cheiro de desinfetante no hospital era forte, mas o que me atingia era o frio interno, dos meus órgãos parando. O médico olhou para mim e depois para Isabella, minha namorada, com uma expressão grave. "A intoxicação alcoólica aguda causou falha renal. O único rim que ele tem está entrando em colapso." Isabella, por quem doei um rim há um ano, nem me olhou. Lixava as unhas, entediada. "E daí? Ele nem aguenta umas bebidas a mais para ajudar o Carlos a fechar um negócio? Pra que serve esse pobretão?" Eu via tudo, não podia gritar que o rim que falhava era o único que me restava, o outro estava nela. Minha sogra, Sra. Helena, a única que me amava, entrou correndo, os olhos inchados. Ela implorou a Isabella para assinar os papéis da cirurgia de emergência. Isabella pegou o documento, riu e o jogou no lixo. "Deve ser mais um truque sujo dele para me conquistar." Sra. Helena, desesperada, ajoelhou-se no chão frio, humilhando-se pela minha vida. Isabella, furiosa, gritou que não se lembrava de me amar, que amava Carlos, e fez os seguranças arrastarem Sra. Helena para fora. A amnésia dela era uma farsa. Ela me usou como "escudo de bebida" para Carlos, esperando se livrar de mim depois. Mas subestimou minha capacidade de morrer. Comecei a perder a visão. Minha alma se desprendeu do corpo. Eu flutuava perto do teto, vendo meu próprio rosto pálido e Isabella mandando mensagem para Carlos. Relembrei o dia da doação do rim. Eu daria minha vida por ela e, de fato, dei. Meus sonhos de ser arquiteto, sacrificados. O médico retornou. "O coração dele está parando. É a última chance." Isabella disse, com desdém: "Já disse que não. Ele não é nada para mim. Deixem-no em paz." O médico, chocado, sabia do rim. A história do meu sacrifício era conhecida. Agora, terminava de forma sórdida. Minha alma era uma testemunha impotente da minha própria morte, orquestrada por ela. A linha do monitor cardíaco, antes viva, tornou-se reta. "Hora da morte: 23h42" , disse o médico, desligando o monitor. Lá fora, Sra. Helena implorava para entrar, para me salvar, mas foi impedida. "A acompanhante responsável nos deu ordens claras. Não podemos fazer nada." Ela buscou ajuda administrativa, mas o poder de Isabella e Carlos já havia tomado conta do hospital. Desesperada, Sra. Helena pegou o celular para chamar a polícia. Uma sombra surgiu atrás dela. Carlos. Ele a agrediu violentamente, socando-a e chutando-a, enquanto me difamava, chamando-me de "peso morto" . Minha alma se contorcia de raiva. Eu era um espectro, incapaz de defender a única pessoa que se importava. Carlos destruiu o celular dela, quebrando a última chance de ajuda. Ela cuspiu, ensanguentada: "Você... você é um monstro." Ele riu, cruel. "Estou apenas limpando a bagunça. O Pedro já era." Ele a pegou pelos cabelos. "Ou talvez seja hora de você se juntar a ele." A ameaça era fria e mortal. Ele silenciaria qualquer um que chorasse por mim. Ele ligou para Isabella. "Sua mãe ficou completamente louca! Ela me atacou!" Vi Carlos arranhando a própria cara, sem soltar Sra. Helena. Isabella, impaciente, ouviu os murmúrios de sua mãe, a acusando. Carlos aumentou a pressão sobre Sra. Helena, que gemeu. Isabella, convencida de que ela enlouquecera, se apressou. Carlos escondeu Sra. Helena machucada sob um lençol. Isabella mandou tirar o lençol, desconfiada de um bracelete. Carlos inventou uma mentira grotesca: Sra. Helena tentava roubar joias de mim e caiu da escada. Isabella acreditou na farsa, e sua dúvida virou fúria. Ela chutou o amontoado sob o lençol. Um osso quebrou. "Sua ladra! Sua desgraça! Você é nojenta, mãe!" Minha alma gritava. A mulher que a criou estava sendo tratada como um animal. Carlos a arrastou como lixo, mas Sra. Helena esticou a mão em um último e desesperado ato de amor. Isabella voltou ao meu quarto. O cheiro de morte começava. "Pedro? Pare de brincar." Ela me tocou. Frio. Pânico. "Não era pra ser assim. Eu só queria... eu não queria isso." Em puro desespero, ela se esbofeteou. "O que eu fiz? O que eu fiz?" O arrependimento, tardio, era palpável. Mas um médico de Carlos entrou, sorrindo. "Morto? Não, ele é um ator. Ele diminui os batimentos. Maquiagem ajuda. Ele planejou tudo isso para você sentir culpa e voltar pra ele." A mentira, elaborada, extinguiu a centelha de humanidade em Isabella, substituindo-a por fúria. "Aquele... desgraçado! Ele se atreve a me enganar desse jeito?" Ela trancou a porta. "Não deixe ninguém entrar. Ninguém." Uma enfermeira correu. "Sra. Helena está em estado gravíssimo. Múltiplas fraturas, hemorragia interna. Não parece bom." Isabella franziu a testa. "Minha mãe é uma ótima atriz, assim como o Pedro. Deve estar fingindo." O celular de Isabella tocou. Carlos, fingindo estar doente. "Oh, meu amor! Onde você está? Estou indo para aí agora mesmo!" Ela correu, sem olhar para trás. Minha alma, pesada, encontrou Sra. Helena jogada em uma maca, esquecida. "Me perdoe. Tudo isso é minha culpa." Isabella chegou ao apartamento de Carlos, que gemia dramaticamente. Um médico particular, pago por Carlos, diagnosticou um "resfriado forte" . Carlos, mestre da manipulação, pediu Isabella em casamento. Ela hesitou: "Eu ainda sou casada com o Pedro." "Então nos livramos do papel. Ele já te traiu." Isabella ligou para o advogado, pedindo o divórcio, transformando meu fim em tortura psicológica. Isabella voltou ao meu quarto com os papéis do divórcio. "Acabou a peça, Pedro. Quero o divórcio." Ela me chutou, sacudiu, jogou água no meu rosto. Nada. O copo caiu. A negação dela se quebrou. Ela buscou um pulso. Nada. Pressionou o ouvido no meu peito. Nada. "Não... não. NÃO!" Um grito gutural. Ela caiu, olhando meu corpo. Ele não estava fingindo. Ele estava morto. E a culpa era dela. "Fui eu. Eu te matei." Ela se arrastou até a cama. "Seu rim… você me deu seu rim… e eu te matei." A verdade e a culpa a esmagaram. "Minha mãe..." Ela correu para a emergência. Sra. Helena estava entubada, cercada por monitores perigosos. "As lesões internas são graves. A fratura perfurou um pulmão. Estamos perdendo-a." Pânico genuíno. "SALVEM-NA! Não me importo com o custo!" Enquanto Sra. Helena era levada à cirurgia, Isabella tremeu. Se o médico de Carlos mentiu sobre mim, Carlos... "A queda... Não foi uma queda." Uma nova fúria. Ela marchou para a sala de segurança. "Mostre-me as gravações do corredor da emergência de ontem à noite." Ela viu Carlos agredir Sra. Helena. Viu Carlos mentindo para ela. E viu, com horror, ela mesma desferindo o chute final. O mundo de Isabella desmoronou. Ela era parte da crueldade. Suas mãos cerraram. "Carlos..." Ela sibilar o nome dele, e não havia amor, apenas a promessa de uma retribuição terrível.
Adeus Lisboa, Olá Paraíso: A Vingança da Ana

Adeus Lisboa, Olá Paraíso: A Vingança da Ana

Fui Ana, a Rainha do Fado, casada com Diogo, o Barão do Vinho. Celebrados nas revistas de sociedade como "O Conto de Fadas Moderno" , eu era a sua musa, a alma de Lisboa unida ao poder do Douro. Ele prometeu-me lealdade eterna, que a sua vida "começava e acabava comigo". As suas palavras eram como um vinho do Porto vintage, ricas e complexas, um amor que eu, a fadista que cantava a dor dos outros, nunca pensei querer. Mas o aroma desse vinho tornou-se vinagre. O sorriso carismático de Diogo tornou-se uma máscara. Comecei a ver. Numa escapadela "romântica", os seus olhos fixos no telemóvel, um sorriso cúmplice para uma influenciadora digital, Sofia, que no Instagram bradava ter um "admirador secreto" com o username "VinhoAmor" - o perfil privado de Diogo. O cheiro do perfume dela, uma picada invisível no meu coração. A dor era física, uma nota de fado presa na garganta. Ele chamava-me "pálida" e "cansada", propondo que eu "descansasse dos fados", tentando silenciar a minha alma. Naquela noite, vi-o mentir novamente, a falsa "emergência na adega" levando-o direto para o aeroporto, para um voo para Faro, para Sofia. As lágrimas escorriam-me pelo rosto enquanto assistia ao seu olhar faminto e possessivo no vídeo que ela publicara. Mas o pior estava por vir. Ouvi-o gabar-se aos amigos, com uma gargalhada presunçosa, que a "paixão vibrante" dela era "bem mais divertida do que um fado triste". E depois, o golpe final: uma foto no meu telemóvel, enviada por ela, de um teste de gravidez com duas riscas. "Parabéns, papá. O nosso 'vinho do amor' deu frutos." Naquele abismo de humilhação e traição, a dor cessou. A Ana fadista morreu, e uma nova mulher nasceu. Numa chamada telefónica fria, um advogado confirmou a renúncia da minha cidadania portuguesa. Sobre a mesa, um bilhete de avião apenas de ida, Lisboa para o Rio de Janeiro. Não havia perdão, nem volta a dar. A sua lealdade quebrada e a minha dignidade pisada forjaram uma determinação inabalável para desaparecer, para o apagar da minha vida, e para o fazer pagar por cada mentira.
Desejo de Amar, Vontade de Partir

Desejo de Amar, Vontade de Partir

Eu fiz três desejos a Lucas em três momentos cruciais da minha vida. Aos quinze, sonhei que ele, o melhor amigo do meu irmão, finalmente me notasse como mulher. Aos vinte e três, desejei que Lucas, meu namorado por alguns anos, me pedisse em casamento. Hoje, no meu aniversário de trinta, com um anel de noivado no dedo, fiz um desejo para mim. "Eu desejo me afastar de você, Lucas." A música parou. Os convidados me encararam, confusos. Lucas, ao meu lado, congelou. "A Duda bebeu um pouco demais, pessoal", ele sorriu, forçado. Ele roubou o microfone. "Que porra você tá fazendo, Maria Eduarda? Quer estragar a sua própria festa?" A festa "minha", mas era toda dela. Balões dourados, bolo de chocolate com morango, a playlist... tudo dela. Ele me olhou com desdém. "Amanhã você vai acordar de ressaca, arrependida, e vai me ligar pedindo desculpas, como sempre. Você sempre volta." Sorri, mas sem alegria. Ele não sabia, mas a passagem para Lisboa de só ida estava comprada. Uma hora antes, eu o observava ser o centro das atenções, com Rafaela grudada. Ele me trouxe um perfume genérico, presente comprado por obrigação. "Duda, eu já pedi desculpas por não ter tido tempo de comprar algo melhor. O projeto da Rafaela consumiu meu tempo." Rafaela. Sempre Rafaela. Naquele momento, decidi. Levantei, peguei o microfone e fiz meu desejo em voz alta. "Eu não bebi, Lucas. E eu não vou te ligar amanhã." Ele apertou meu braço. "Você é tão difícil de agradar? Eu organizo essa festa toda para você, gasto uma fortuna, e é assim que você me agradece?" A calma se quebrou em mim. "Essa festa? Você chama isso de festa pra mim? Lucas, olhe em volta! Nada aqui é pra mim! Essa festa é para a Rafaela!" O rosto dele ficou vermelho. "Não ouse colocar a Rafaela no meio disso! Ela não tem nada a ver com as suas neuroses!" Rafaela se aproximou, olhos cheios de lágrimas falsas. "A culpa é minha. Lucas, talvez seja melhor a gente ir embora." A performance foi perfeita. Os olhares de reprovação caíram sobre mim. "Eu não acredito que você se rebaixou a esse nível, Maria Eduarda. Estou profundamente decepcionado com você." Ele a pegou pela mão e a guiou para fora. Me deixou para trás. Sozinha. Na minha própria festa.
O Diário Escondido: Uma Verdade Mortífera

O Diário Escondido: Uma Verdade Mortífera

Quando o médico me disse que o meu noivo, Léo, estava com morte cerebral, o meu mundo desabou. Eu estava em choque, perdida na dor e no luto. Mal tinha tido tempo de absorver a tragédia quando a sua mãe, a Sra. Helena, agarrou-me pelo braço. Com os olhos vermelhos e inchados, ela e o Sr. Matias imploraram-me. "Léo não ia querer deixar-te desamparada. Casa com o irmão dele, o Hugo. É o desejo dele." Eles usaram as minhas emoções contra mim. O Léo, o meu sol, tinha um irmão gémeo, o Hugo, tão frio como o gelo. Ele nem me olhou, mas a sua voz cortou o ar: "Casa comigo. Vou tratar de ti." Senti-me numa encruzilhada impossível. A culpa pelo acidente do Léo, que aconteceu a caminho do meu jantar de aniversário, pesava sobre mim. A empresa deles estava em crise, um escândalo poderia destruir tudo o que o Léo e o pai construíram. Eles manipularam-me para o aceitar. Eu não queria, mas o meu "sim" saiu numa espécie de torpor. Aceitei porque queria honrar o Léo. Assim, casei-me com o Hugo. Rapidamente, silenciosamente, sem testemunhas. Ele guiou a minha mão trémula para assinar os papéis. Eu estava presa. Presa a um casamento sem amor, numa casa cheia de fantasmas. Presa a um homem que mal olhava para mim, mas deixava dinheiro na mesa para minhas "despesas". Eu sentia-me como uma estranha, uma peça num jogo que não entendia. Então, uma semana depois do casamento, a Sra. Helena veio visitar-me. O seu sorriso amável era agora uma máscara por detrás da qual se escondia uma exigência terrível. "Tens um dever, Sofia. Precisas de nos dar um herdeiro. Um neto que continue o legado do Léo." Fiquei gelada. Ela estava a transformar-me numa incubadora. Percebi que não era amor, nem desejo de honrar o Léo. Era manipulação. Eles queriam um sucessor, não uma esposa. A cada menção ao Léo, a culpa intensificava-se. Mas desta vez, o meu "não" saiu firme. A fúria dela transformou o seu rosto. "És ingrata! O meu filho morreu por tua causa! É o mínimo que podes fazer!" Eu tremia de raiva e desilusão. Senti-me usada e descartável. O que eu era para eles? Uma ferramenta? Naquela noite, o Hugo chegou a casa mais cedo. A minha indignação transbordou. "O que é que tu queres, Sofia?" perguntou ele. As minhas palavras saíram antes que eu pudesse pensar. "Eu quero o divórcio!" Mas não era possível, a empresa ainda não estava estável. Ele só pediu seis meses. "A tua parte é viveres a tua vida," Hugo disse, parecendo oferecer uma réstia de esperança. Seis meses... para uma vida que não era minha. Uma sombra de liberdade prometida. Eu não sabia o vazio que me esperava, mas a verdade estava prestes a surgir. Poderia eu viver com este contrato por mais seis meses? Ou será que esta farsa iria arruinar-me para sempre?
Amor Desfeito, Vida Recomeça

Amor Desfeito, Vida Recomeça

Era nosso aniversário de casamento de três anos, e eu tinha tudo planejado. Mas Pedro não apareceu, e meu coração começou a apertar. Ignorei o pressentimento e fui procurá-lo no estúdio de Clara, sua ex-namorada, que andava "precisando de apoio". Lá, o encontrei consolando-a, íntimos, como eu não via há muito tempo. Então ele ligou, forçando um "Esqueci nosso aniversário, amor" e a desculpa ensaiada de uma emergência de Clara. Ele me mandou pegar um táxi para casa, enquanto ele levava A OUTRA para o hospital. Eu estava grávida. Preparada para contar a ele naquela noite, eu, sua esposa, que esperava ele chegar em casa e me amar. Mas na próxima esquina, Pedro e Clara me passaram, com a emergência dela no colo e o meu segredo calado na minha barriga. Naquela noite, a mentira que era meu casamento veio à tona, e minha vida desmoronou. Mas não mais. Meu sofrimento seria minha força. Eu não estaria mais sozinha. E meu filho, nosso bebê, não cresceria em um lar desfeito. Eu não seria mais a segunda opção. Tudo mudou quando fui deixada sozinha no hospital. Eu não perderia meu filho para a maldade de outra mulher e a cegueira de um homem. Aquele dia, a dor da perda e a ra raiva da traição se transformaram em uma força incontrolável. E seria essa força que me faria lutar, não apenas para sobreviver, mas para me reerguer e, talvez, dar a Pedro e Clara o que eles realmente mereciam.