O Preço do Abandono Materno

O Preço do Abandono Materno

Gavin

5.0
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11
Capítulo

"Eu não quero." A voz de Maria Clara era fria, cortante, sem emoção. Há vinte anos, minha mãe, Beatriz, me abandonou para se casar com um homem rico, me jogando nas mãos da minha tia, que me criou em meio a privações. Agora, ela reaparecia, sentada à minha frente num restaurante chique que jamais pagaria, estendendo um cartão bancário preto e a chave de um apartamento de luxo. "Sua vida tem sido muito difícil. Mamãe quer te compensar" , disse ela, com um sorriso ensaiado, as mãos perfeitas contrastando com as minhas, calejadas pelo trabalho. "Eu não preciso," repeti com a mesma frieza, sem tocar nos presentes. Ela suspirou, o rosto maquiado contorcido em falsa mágoa. Eu quase ri. Mãe? Essa mulher não era minha mãe. "O melhor para mim era ter uma mãe quando eu precisei de uma." Eu me levantei, deixando-a para trás com sua farsa e seus presentes caros. Do lado de fora, a chuva torrencial parecia ecoar a raiva que eu sentia. No dia seguinte, ela me encontrou no café onde eu trabalhava, o cheiro de café e pão torrado contrastando com seu perfume caro e seu casaco de caxemira. "É urgente," ela disse. "É a Sofia. Sua irmã. Ela precisa de um rim." Meu mundo parou. Não era sobre me compensar. Era sobre me usar. Uma peça de reposição. Eu era um banco de órgãos. O choro histérico dela não me atingiu. "Você quer o meu rim? Eu quero cinco milhões de reais. É o meu preço. Sem negociação." No dia seguinte, um advogado, Dr. Afonso, trouxe um contrato. Quatrocentos mil reais pela minha doação, e eu deveria assinar um termo renunciando a qualquer contato com a família. Eu rasguei o contrato. "Abandono de incapaz. É um crime. Vamos para o tribunal" , eu disse, a voz cheia de veneno. Ele tentou me chantagear com fotos e vídeos de um suposto "clube noturno" . O que ele não sabia era que eu estava gravando. Minha tia ligou. "Afonso! Ele não é apenas o advogado da família. Ele é o amante da Beatriz! O bairro inteiro comenta sobre isso!" No meio do caos, recebi uma mensagem anônima: "A história é muito mais suja do que você imagina." O que eles estavam escondendo? A verdade me atingiu como um raio: Sofia, minha irmã gêmea, estava morta há anos. A "Sofia" rica era uma impostora, adotada para manter as aparências. Não era sobre uma irmã. Era sobre usar meu tipo sanguíneo raro para salvar a farsa deles. A raiva me consumiu. Eles iriam pagar. E eu estava apenas começando.

Introdução

"Eu não quero."

A voz de Maria Clara era fria, cortante, sem emoção.

Há vinte anos, minha mãe, Beatriz, me abandonou para se casar com um homem rico, me jogando nas mãos da minha tia, que me criou em meio a privações.

Agora, ela reaparecia, sentada à minha frente num restaurante chique que jamais pagaria, estendendo um cartão bancário preto e a chave de um apartamento de luxo.

"Sua vida tem sido muito difícil. Mamãe quer te compensar" , disse ela, com um sorriso ensaiado, as mãos perfeitas contrastando com as minhas, calejadas pelo trabalho.

"Eu não preciso," repeti com a mesma frieza, sem tocar nos presentes.

Ela suspirou, o rosto maquiado contorcido em falsa mágoa.

Eu quase ri. Mãe? Essa mulher não era minha mãe.

"O melhor para mim era ter uma mãe quando eu precisei de uma."

Eu me levantei, deixando-a para trás com sua farsa e seus presentes caros.

Do lado de fora, a chuva torrencial parecia ecoar a raiva que eu sentia.

No dia seguinte, ela me encontrou no café onde eu trabalhava, o cheiro de café e pão torrado contrastando com seu perfume caro e seu casaco de caxemira.

"É urgente," ela disse. "É a Sofia. Sua irmã. Ela precisa de um rim."

Meu mundo parou. Não era sobre me compensar. Era sobre me usar. Uma peça de reposição.

Eu era um banco de órgãos.

O choro histérico dela não me atingiu.

"Você quer o meu rim? Eu quero cinco milhões de reais. É o meu preço. Sem negociação."

No dia seguinte, um advogado, Dr. Afonso, trouxe um contrato. Quatrocentos mil reais pela minha doação, e eu deveria assinar um termo renunciando a qualquer contato com a família.

Eu rasguei o contrato.

"Abandono de incapaz. É um crime. Vamos para o tribunal" , eu disse, a voz cheia de veneno.

Ele tentou me chantagear com fotos e vídeos de um suposto "clube noturno" . O que ele não sabia era que eu estava gravando.

Minha tia ligou. "Afonso! Ele não é apenas o advogado da família. Ele é o amante da Beatriz! O bairro inteiro comenta sobre isso!"

No meio do caos, recebi uma mensagem anônima: "A história é muito mais suja do que você imagina."

O que eles estavam escondendo?

A verdade me atingiu como um raio: Sofia, minha irmã gêmea, estava morta há anos. A "Sofia" rica era uma impostora, adotada para manter as aparências.

Não era sobre uma irmã. Era sobre usar meu tipo sanguíneo raro para salvar a farsa deles.

A raiva me consumiu. Eles iriam pagar. E eu estava apenas começando.

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