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“ Não importa o quanto tente fugir do que te aguarda, porquê o futuro sempre está à sua frente, cabe a nós o dever de apenas aceitar ou tomar um caminho diferente”
— Ivan Czar
⚜️⚜️⚜️
1978 AOS ANOS
Determinação, suor, objetivo… Futuro.
Esse é o sonho que tanto desejei conquistar e agora tenho a chance de superar meus limites. Meus punhos estavam doloridos, mas continuei, uma promessa te faz homem e um homem faz de tudo para cumprir com a sua palavra.
O saco de pancadas se movimentava conforme meus socos distribuídos o acertava com força. Concentro toda a energia em cada movimento de meu corpo, a posição e a forma que dou joelhadas intercaladas com chutes ligeiros e os socos, precisava ficar em forma o quanto antes para a semifinal do campeonato.
Só não esperava que alguém estivesse me observando, então segurei o saco de pancadas podendo sentir todos os músculos fisgando doloridos, o suor escorre ligeiramente em minha face enquanto minha mãe está com aquele sorriso de orgulho em seus lábios.
Ela descruza os braços e vem em minha direção, pega a toalha sobre a cadeira ao lado de alguns aparelhos que tenho para exercícios físicos e começa a limpar o suor de meu rosto.
— Muito bem campeão, está na hora do café da tarde. — sorri, ela sabia o quanto isso poderia se tornar constrangedor para um homem feito, ser tratado como um garotinho.
— Não sou mais um garotinho, mãe! Agora sustento a casa e a nós.
— Está certo meu amor. — ela disse dando tapinhas em meu ombro.
- Só não se atrase porque não iremos comer bolinhos de chuva na hora do jantar ouviu?
— Está bem, minha querida. — abracei ela sabendo que não gostava de sentir ser molhada por suor, ela lutou contra me fazendo rir.
— Não! Lucca! Você está ensopado menino! — Recebi outro tapa em meu ombro enquanto apenas apreciava o quanto minha mãe estava bonita nesta tarde.
Seus lábios desenhados e os olhos azuis, herança que fui capaz de carregar, o seu rosto não era mais tão macio, mas bem cuidado mostrando algumas marcas do tempo em sua pele clara. Ela é meu mundo de menino, sempre foi.
— Vou deixar a senhora ir, mas quero bastante canela desta vez! — falei brincando enquanto ela resmungava algo sobre sua blusa de tecido fino estar molhada.
— Você não tem jeito menino, sabia que esta blusa é a minha favorita? Seu pai me deu de presente quando estávamos nos conhecendo.
Os olhos dela brilhavam toda vez, era maravilhoso ver o amor que ela ainda tem pelo meu pai. Ele conquistou um pedaço de terreno no interior de Nova Jersey, onde nos instalamos em uma casa simples de madeira com dois quartos, um banheiro no andar de cima e uma sala de estar, cozinha e sala de visitas. Era a única casa do bairro mais simples, mas não ligava para isto, porque já tenho tudo e me orgulhava dos meus feitos.
— Ele foi um grande homem. — Comentei vendo minha mãe limpar uma de suas lágrimas.
— Não faz assim dona Lúcia! — tornei a abraçar ela que limpava uma lágrima solitária.
— É felicidade, menino bobo. — ela nunca admitiu que estávamos sozinhos e que agora é meu dever cuidar dela.
Meu pai havia nos deixado em um acidente, quando foi ajustar ou trocar uma telha de cima do telhado na noite mais chuvosa da época e então seus pés deslizaram não dando chances dele se agarrar em algo, acabou caindo e batendo com a cabeça fortemente. Na época só tinha doze anos de idade.
— Sei, mãe. Vou apenas tomar um banho e já descerei para vermos o pôr do sol. — beijei sua cabeça inalando seu cheiro de rosas delicadas, segui para o banheiro em meu quarto pegando uma toalha no armário e uma troca de roupas deixando tudo no suporte para toalhas ao lado do gabinete e então retirei as duas peças de roupas do corpo e entrei no Box para em seguida deixar a água morna cair sobre mim.
Observei a água escorrer sobre os fios curtos que chegavam um pouco abaixo de minhas sobrancelhas, então pensei em como seria se pudesse vencer o campeonato em Nova York, me mudar para uma casa mais confortável e dar uma vida digna para minha mãe, se minha carreira profissional fosse ser o nosso único meio de sustento e ela não precisasse acordar cedo e ter que fazer faxinas para os afortunados das vizinhanças toda semana.
Ensaboei meu corpo sentindo o alívio que me transmitia a temperatura. Depois de tudo higienizado, sequei o corpo e vesti um shorts preto, uma cueca vermelha e uma camiseta branca seguida de uma blusa de moletom marrom. Sai do banheiro e notei que minha cama estava arrumada e a janela com apenas os vidros fechados, sorri porque mesmo com meus dezenove anos ela se preocupava comigo.
Então caminhei para o andar de baixo da casa, tudo continuava da mesma forma, os quadros distribuídos pelas paredes, registrando os melhores momentos de nossas vidas, o casamento de meus pais, a paixão dele pela Marinha e suas medalhas de honras emolduradas em um vidro.
Era seu orgulho, era seu sonho para mim, porém a vida não pode ser controlada dessa forma, então decidi ser um campeão, defender minha paixão por lutas e não seguir os mesmos passos que ele.
Na sala havia um sofá e algumas estantes que tinham enfeites que foram presentes de comemorações, lembranças boas por onde eu passava, é maravilhoso estar aqui.
— Mãe? — atravessei diretamente para a cozinha vendo ela pingar a massa sobre o óleo quente, o cheiro doce impregnou-me em todo o ambiente me fazendo voltar ao tempo de infância.
— Está quase pronto meu filho. — bolinhos de banana com canela, deduzi. Aproximei e me sentei na bancada da cozinha puxando um banco de madeira que meu pai aventurou em fazer aos finais de semana.
— O cheiro está maravilhoso! — aproximei de certa forma que conseguisse roubar um da vasilha que ela estava colocando, assoprei dando a mordida enquanto ela reclamava.
— Se continuar comendo os bolinhos, vão ficar encharcados meu filho! Não pode comer antes do tempo certo. — advertiu enquanto sentava em meu lugar. Minha mãe tossiu colocando a mão sobre o pano de prato em seu ombro e cobriu os lábios com o cotovelo.
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