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Aurora
A primeira coisa que percebi ao acordar foi o cheiro.
Um cheiro bom. Um cheiro absurdamente bom. Uma mistura de couro caro, uísque envelhecido e… algo que só podia ser descrito como decadência sexy.
A segunda coisa que senti foi o calor.
Havia um braço pesado jogado sobre a minha cintura, o corpo quente e sólido de alguém colado às minhas costas. E não era qualquer braço. Era um braço masculino, firme, com uma mão grande que parecia ter vida própria, repousada perigosamente perto da minha barriga nua.
Nua.
Essa palavra piscou como um letreiro de néon na minha mente. Eu estava nua.
O choque me atingiu como um balde de água fria. Meu coração disparou. Engoli em seco.
Devagar, Aurora. Talvez esteja sonhando.
Com muito, muito cuidado, virei a cabeça.
E então o vi.
O homem mais bonito que já tinha visto na vida.
Cabelos com cachos largos bagunçados, uma barba por fazer que dava vontade de passar a mão só para sentir a textura, cílios longos que seriam considerados um crime em algumas partes do mundo e lábios cheios, entreabertos num suspiro tranquilo.
Se Adônis existisse de verdade, ele estava deitado na minha cama.
Não é minha cama, meu cérebro gritou. Olhei ao redor.
O quarto era imenso, decorado em tons de bege e dourado, com cortinas pesadas e uma varanda aberta que deixava a brisa quente da manhã entrar. Um lustre de cristal brilhava sobre nós.
Definitivamente não era o meu apertamento minúsculo.
Definitivamente não era minha vida.
Meu estômago deu um nó.
— Ok, Aurora — murmurei baixinho, tentando não surtar —... respira. Respira. Talvez… talvez só seja um sonho.
Nesse exato momento, o Adônis se mexeu, resmungando algo em italiano — uma palavra arrastada e gutural que soou terrivelmente sexy — e me puxou ainda mais contra ele.
Senti.
Senti cada músculo duro dele, cada centímetro quente e… oh, céus, aquilo definitivamente não era um sonho.
Me encolhi como um gato assustado, tentando sair de fininho debaixo do braço dele.
Foi quando ele abriu um dos olhos.
Um olho escuro, profundo, perigoso.
E sorriu.
— Buongiorno, mogliettina — disse com a voz rouca, ainda carregada de sono.
Mogli-quem?
Pisquei, tentando traduzir.
— Hein?
Ele deu uma risadinha preguiçosa, como se estivesse se divertindo com a minha expressão de pânico.
— Bom dia… esposinha.
Esposinha... Esposinha?!
Sentei tão rápido que quase desloquei a coluna, agarrando o lençol para cobrir meu corpo nu. O movimento arrancou um gemido de protesto dele, que rolou para o lado com preguiça felina.
— Ah, não — murmurei, encarando o teto como se fosse desabar sobre mim — Isso não está acontecendo. Isso não está acontecendo!
— Está acontecendo — ele disse, esticando-se todo, braços para trás da cabeça, exibindo um abdômen de revista de academia. — E aconteceu bem gostoso, se você quer saber.
Eu quis morrer. Ou matar alguém. Ainda não tinha decidido.
— O quê… O que a gente fez? — minha voz saiu aguda de puro desespero.
Ele me olhou com um sorriso malicioso.
— Acho que o termo técnico é: consumação matrimonial.
Abri a boca. Fechei. Abri de novo.
Nada saiu.
Calma, Aurora. Você é adulta. Já viu coisas piores. Tipo aquele coworking de freelancers onde serviam café com gosto de detergente. Você sobreviveu aquilo. Você sobrevive a isso também.
— Quem é você? — perguntei, estreitando os olhos.
Ele piscou devagar, com aquele ar irritantemente autoconfiante.
— Giovanni Corleone. Subchefe da família Corleone. — Sorriu como se estivesse me dando boas notícias. — Prazer, cara mia.
Subchefe.
Família.
Eu podia não ser especialista em máfia, mas até eu sabia o que "família" significava nesse contexto.
Senti meu rosto perder toda a cor.
— Mafioso?! — gritei.
Ele deu de ombros, como quem diz: ninguém é perfeito.
— Só de leve.
Minhas mãos começaram a tremer.
— Nós… nós nos casamos?!
Ele assentiu, com aquela calma irritante de quem não dava a mínima para o apocalipse que estava se desenrolando.
— Ontem à noite. Depois de algumas tequilas… e talvez umas apostas.
Apostas.
TEQUILAS.
A imagem de um Elvis gordo com um microfone na mão piscou na minha mente.
— Ah, meu Deus. — Tapei o rosto com as mãos. — Eu me casei com um mafioso bêbado em Las Vegas.
Ele deu uma risadinha divertida.
— Tecnicamente, você também estava bêbada.
Levantei a cabeça, os olhos ardendo.
— Isso é péssimo. É horrível! Temos que anular! Imediatamente!
Giovanni se espreguiçou de novo, como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Anular? — repetiu, com uma sobrancelha erguida. — Que feio, cara mia. Nosso matrimônio merece um pouco mais de respeito.
— Respeito? — esganiçei. — Eu nem lembro de ter dito "sim"!
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